A Vinci Compass encerrou o exercício fiscal de 2025 com R$ 354,1 bilhões em ativos sob gestão e aconselhamento, cifra que inclui a conclusão da aquisição da fatia de 50,1% da Verde Asset Management, que representou um acréscimo de R$ 14,5 bilhões em dezembro.
No ano, houve um incremento de R$ 42 bilhões em capital novo e valorização da carteira, um aumento de 13%.
Dentre os destaques de captação no ano passado, Bruno Zaremba, diretor de finanças e operações da gestora de recursos, cita as verticais de crédito, com uma adição de R$ 10 bilhões, para R$ 36 bilhões, uma alta de 25% em relação a 2024. “Houve um crescimento forte em vários produtos diferentes na América Latina inteira”, afirma, em conversa com o Valor para comentar os resultados.
Outra área que trouxe bons frutos foi a de soluções de investimentos, em que clientes globais investem na região por meio da Vinci Compass, e que reúne R$ 271 bilhões. No quarto trimestre, houve a assinatura de um mandato exclusivo, de R$ 2,8 bilhões, com um investidor asiático para alocar em oportunidades no segmento de infraestrutura na América Latina.
“É muito relevante para a companhia porque é um dos primeiros mandatos, de escala, com aspecto regional de Latam, é um reconhecimento importante”, diz Zaremba. Ele diz haver conversas com outros investidores para acordos similares.
Neste início de 2026, a Vinci completou cinco anos de ações listadas na bolsa americana Nasdaq. Quando fez a oferta pública inicial (IPO), a gestora reunia cerca de R$ 40 bilhões em ativos, “hoje é uma companhia de Latam, com R$ 354 bilhões, com exposição para clientes fora da região, principalmente”, diz Zaremba. Foi um ciclo em que a casa comprometeu R$ 1,4 bilhão do próprio capital para os fundos privados e atraiu R$ 20 bilhões em recursos de terceiros. Aos acionistas, a companhia devolveu R$ 949,2 milhões em dividendos e fez recompras de ações de R$ 345,7 milhões.
A gestora de origem brasileira também conseguiu atalhos de crescimento por meio de cinco aquisições – Compass, SPS Capital, MAV, Lacan e a Verde -, tornando-se um player de América Latina a partir da união com a Compass, concluída em 2024.
Zaremba cita que, nas transações de M&A, o grupo usou o equivalente a R$ 413,2 milhões do caixa para fazer investimentos, tendo emitido quase 15 milhões de ações para os novos sócios – incluindo a recém-chegada turma da Verde, liderada por Luis Stuhlberger, e agregando ainda como sócio individual Daniel Goldberg, da Lumina Capital, que tinha 25% da asset. O gestor participa do conselho de administração da Verde, que passa também a contar com representantes do lado da Vinci sob a nova governança.
As primeiras sinergias começam a aparecer, diz Zaremba, com o lançamento, em fevereiro, do primeiro fundo de infraestrutura em cogestão com a Verde. O portfólio vai investir em debêntures de infraestrutura incentivadas, com o time da Verde responsável pelo componente de juros na carteira, nos mercados mais líquidos, enquanto a Vinci fica com a alocação mais estrutural em instrumentos de crédito de médio e longo prazo. “A gente une o melhor das duas casas, é um bom primeiro produto para trabalharmos juntos, e, conversando com o mercado, estamos bem otimistas.”
Desenho semelhante foi feito com a MAV para um fundo com foco em transição energética. A Vinci Compass também ganhou a concorrência do BNDES para um portfólio para investir em créditos com critério de sustenbabilidade com prazo de 12 anos. E continua captando no seu fundo 4 de SPS, de soluções oportunísticas de capital. Até aqui, a gestora levantou R$ 1,2 bilhão e a expectativa é que passe dos R$ 2 bilhões até setembro.
O ano de 2026 começou com um viés positivo para desinvestimentos, com o IPO do Agibank na bolsa de Nova York (Nyse), o primeiro passo para saída do investimento. Com o preço das ações na estreia na bolsa, a Vinci marcou um retorno anual de 35%. A fusão da empresa de apoio à exploração e produção de petróleo e gás OceanPact com a investida CBO é outro movimento que pode virar liquidez no futuro. A guerra no Irã, contudo, é um ponto de atenção.
No último trimestre de 2025, o lucro operacional relacionado a taxas de administração (FRE, o “fee related earning”) da Vinci Compass somou R$ 80,4 milhões, com alta de 4,4%, e de R$ 288,4 milhões no ano fechado (+16%). A margem ficou em 30,4%, ante 44,1% na comparação de 12 meses atrás.
Os ganhos relacionados a investimentos (IRE, na sigla em inglês) somaram R$ 45,1 milhões no trimestre, compondo boa parte do resultado de 2025, de R$ 65,2 milhões. O lucro distribuível ajustado foi de R$ 81,3 milhões entre outubro e dezembro e de R$ 292,4 milhões no ano.
Fonte: Valor Econômico
