Em sua carta anual aos investidores, Larry Fink, presidente e CEO da BlackRock, tangencia o tema da desigualdade financeira e diz ver a democratização do mercado de capitais como meio de promover crescimento econômico e dar acesso à formação de riqueza para mais pessoas. Fink enfatiza que “o velho modelo do capitalismo global está se fragmentando” e que “os países estão gastando somas enormes para se tornarem autossuficientes – em energia, em defesa, em tecnologia”.
O CEO da maior gestora de ativos do mundo alerta que a maior parte da riqueza tem fluído, contudo, para os donos de ativos, e que inteligência artificial (IA) “ameaça repetir esse padrão em uma escala ainda maior – concentrando a riqueza entre as empresas e os investidores posicionados para capturá-la”.
Para combater tal concentração e a ansiedade econômica resultante da inovação, Fink defende que “o investimento de longo prazo é o que permite aos países construir indústrias domésticas, e às pessoas uma riqueza duradoura”. Ele aponta que o crescimento pode contribuir para isso.
Fink qualifica esse processo como um “milagre cívico”, porque “quando as pessoas investem suas economias ao longo de décadas, não dias, os mercados de capitais colocam esse dinheiro para trabalhar, financiando empresas, infraestrutura e empregos”.
Fink apresenta exemplos de como diferentes economias estão abordando esse desafio. Nos Estados Unidos, o foco está em “contas de construção de riqueza precoce” e uma conversa bem-vinda sobre a Previdência Social. A Índia está utilizando “1 bilhão de smartphones” como porta de entrada para os mercados financeiro e de capitais. Na Alemanha, ele cita que uma mudança na previdência poderia ajudar a aprofundar os mercados de capitais europeus. Ao se referir ao Japão, Fink afirma que uma única “mudança de política ajudou a trazer dez milhões de novos investidores para o mercado em três anos”.
Fink defende que o objetivo central precisa ser “garantir que mais pessoas possam ter uma participação no crescimento de seu país”, pois, atualmente, “muitos são deixados de fora”. Ele acredita que, ao expandir o acesso à educação financeira, e ao mesmo tempo modernizar os mercados, é possível criar um futuro em que o crescimento econômico seja mais inclusivo.
Fonte: Valor Econômico
