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Novo CEO da Vale, Gustavo Pimenta diz que aposta em minerais críticos não desviará o foco da mineradora — Foto: Arthur Massao Felippe de Toledo
A Vale aposta na criação de um fundo de investimento, com capital de R$ 1 bilhão, para se posicionar no mercado de minerais críticos – como lítio, cobalto, nióbio e terras-raras – a partir da exploração de reservas no Brasil com empresas de médio porte. A iniciativa, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), terá aportes individuais de até R$ 250 milhões por parte da mineradora e do banco público. Outros R$ 500 milhões serão levantados por meio de captações.
O interesse em diversificar o portfólio, com incremento dos minérios considerados estratégicos para o movimento de eletrificação da economia, foi defendido pelo no presidente da Vale, Gustavo Pimenta, nesta quarta-feira (2), ao anunciar o consórcio escolhido para assumir a operação do fundo.
“O desenvolvimento de minerais críticos é superestratégico para a Vale. Nós somos conhecidos por ser uma empresa de minério de ferro, 90% do nosso resultado vem daí, e a gente está buscando essa agenda de diversificação da nossa matriz”, afirmou Pimenta, em evento virtual com a participação do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Além de acompanhar de perto os projetos nessa área, a Vale poderá “coinvestir” naqueles que estiverem alinhados à sua estratégia comercial, disse o executivo da mineradora.
“A gente fala muito de transição energética, mas ela não existe sem os minerais críticos. E hoje o desafio no mundo de minerais críticos não é a demanda”, disse Pimenta. “A demanda por esses metais é crescente pelas próximas duas décadas e o grande desafio da indústria hoje é trazer esses minerais para operação, desenvolver esses projetos, trazer esses projetos para as etapas comerciais”, complementou.
O consórcio selecionado para gerir o fundo é formado pela ORE Investments e pela joint venture constituída entre a JGP e a BB Asset. A ORE foi apresentada como gestora brasileira focada exclusivamente em projetos de mineração, com R$ 400 milhões de ativos nas mãos. A BB Asset, do Banco do Brasil, conta com uma carteira de R$ 1,7 trilhão, enquanto a JGP é gestora no mercado de capitais que mantém R$ 41 bilhões sob sua gestão.
Dentro da lógica de operação de Fundo de Investimento em Participações (FIP), os recursos deverão contemplar ao menos 20 empresas brasileiras (ou estrangeiras com mínimo de 90% da operação no Brasil) dedicadas a projetos de pesquisa, desenvolvimento, implantação ou operação de ativos de minerais críticos.
O diretor de mercado de capitais do BNDES, Alexandre Abreu, explicou que o apoio financeiro poderá ser feito na emissão de dívidas (debêntures) ou na compra de participação (“equity”).
“Certamente, vão ser montados produtos que vão ser vendidos pela BB Asset, que tem uma capilaridade gigante, tem todos os clientes do Banco do Brasil (…), que deve ser na faixa de 30 a 40 milhões de clientes que vão poder investir diretamente”, disse Abreu, considerando que deve ainda ter “rodadas de captação com investidores estratégicos”.
Ao responder a jornalistas, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que a aposta da companhia nos minerais críticos não vai desviar o foco da mineradora nos negócios com níquel e cobre, por exemplo. “Nosso grande foco são aqueles minerais que a gente tem em carteira, tanto o níquel quanto o cobre, porque a gente tem vantagem competitiva, a gente conhece esses minerais e consegue produzir numa curva de custo bastante competitiva para a indústria.”
Para Mercadante, o fundo de investimento para minerais críticos vai permitir ao Brasil explorar o potencial “gigantesco” dessas reservas minerais. Segundo ele, já existem projetos avançados no país, apoiados pelo banco, com o objetivo de avançar em novos módulos da cadeia de produção de compostos essenciais para fabricação de motores elétricos e baterias. Ele citou o exemplo das iniciativas para produzir lítio em pó. O fundo também pode financiar projetos dedicados à pesquisa e produção de fertilizantes.
Fonte: Valor Econômico
