A União Europeia (UE) planeja elevar as tarifas sobre suas importações de aço para 50%, conforme consta em documentos do bloco. A medida pretende alinhar a alíquota europeia à aplicada pelos Estados Unidos, que vêm tentando conter a supercapacidade de produção da China.
Atualmente, a UE conta com um mecanismo temporário de salvaguarda para sua indústria do aço, que impõe uma tarifa de 25% sobre a maioria das importações quando as cotas são excedidas. Esse mecanismo expira em junho de 2026, e a UE vem trabalhando para substituí-lo por uma regulamentação mais permanente, que deverá ser apresentada na próxima semana.
A Comissão Europeia, responsável por assuntos comerciais no bloco, pretende aumentar a tarifa para 50% “a fim de minimizar o risco de desvio de comércio”, de acordo com o documento. A taxa mais alta se aplicaria às importações quando determinada cota for atingida.
Os planos estabelecem cotas para tipos específicos de produtos com base em médias históricas. A comissão também busca poderes para definir cotas específicas por país para os diferentes limites.
As medidas seriam revisadas a cada cinco anos, a partir de julho de 2031, para avaliar tendências de supercapacidade e seus efeitos sobre o mercado de aço, segundo a proposta.
A indústria siderúrgica do bloco enfrenta uma grave crise nos últimos anos, em meio à concorrência de importações baratas da China e de outras economias asiáticas. Além disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, elevou para 50% as tarifas sobre aço e alumínio pouco depois de assumir o cargo.
O comissário europeu para a indústria, Stéphane Séjourné, disse em reunião a portas fechadas na quarta-feira que a Comissão planeja apresentar sua proposta de aumento das tarifas sobre o aço na próxima semana, segundo uma pessoa com conhecimento de suas declarações.
Ele afirmou que, embora a UE continue acreditando em uma ordem internacional na qual o comércio seja possível, “não seremos os únicos a nos impor princípios que outros já não aplicam”, conforme relatou essa pessoa.
A associação siderúrgica europeia, Eurofer, vem exigindo medidas mais rígidas para refletir as novas dinâmicas de mercado e solicitou um regime comercial abrangente após 2026, para lidar com os efeitos colaterais destrutivos do excesso global de capacidade de aço sobre o mercado europeu.
“Se não houver barreiras fortes para impedir que o aço abaixo do custo chegue à Europa, os principais elementos da prosperidade europeia — como carros, caminhões, baterias e turbinas eólicas — não poderão ser produzidos com o nosso próprio aço”, disse Henrik Adam, diretor-presidente da Tata Steel Europe. “A Comissão entendeu o risco e agora está tomando medidas rápidas no comércio.
Fonte: Valor Econômico
