O presidente dos EUA, Donald Trump, está reconsiderando o tratado comercial — assinado por ele em seu primeiro mandato — com o México e o Canadá e pode abandonar o acordo. Isso aumentaria a incerteza sobre as negociações entre os países da América do Norte, segundo pessoas ouvidas pela agência de notícias Bloomberg.
Recentemente, o presidente tem questionado se deveria se retirar da parceria comercial conhecida como USMCA (em referência às iniciais dos países participantes), ainda que não tenha explicado o motivo nem o que pretende fazer em seguida, de acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg que pediram para não se identificar.
O Acordo Estados Unidos-México-Canadá passará por uma revisão obrigatória antes de uma possível prorrogação em 1º de julho, um processo que antes era considerado rotineiro. Trump exigiu concessões comerciais adicionais de Ottawa e da Cidade do México e pressionou-os a abordar questões não relacionadas, incluindo imigração, narcotráfico e defesa.
Se os países concordarem com a renovação, o acordo permanecerá em vigor por mais 16 anos. Mas, caso isso não aconteça, poderá desencadear revisões anuais durante uma década, até o término do acordo em 2036. Qualquer país poderá anunciar sua intenção de se retirar com um aviso prévio de seis meses.
Tal medida abalaria os alicerces de uma das maiores relações comerciais do mundo — o pacto abrange aproximadamente US$ 2 trilhões em bens e serviços — e até mesmo a ameaça de uma saída dos EUA alimentaria a incerteza entre investidores e líderes mundiais.
Segundo um funcionário da Casa Branca, Trump sempre toma decisões baseado no que for melhor para a população americana. Ele acrescentou que qualquer discussão a respeito desse assunto não passava de mera especulação até um anúncio oficial do presidente.
Já Jamieson Greer, funcionário do gabinete do Representante Comercial dos EUA, disse que a aprovação automática dos termos de 2019 não era do interesse do país, logo, Trump deveria manter as opções em aberto e negociar ajustes que tenham sido identificados como necessários.
Greer acrescentou, na terça-feira, que o governo travaria negociações separadas com o México e o Canadá, argumentando que as relações comerciais com Ottawa estão mais tensas. Ele não disse se Trump aprovaria uma prorrogação.
“De um modo geral, essas negociações vão prosseguir bilateralmente e separadamente. Os mexicanos estão sendo bastante pragmáticos neste momento. Já tivemos muitas conversas com eles. Com os canadenses, é mais complicado”, disse Greer à Fox Business.
Caso o acordo seja interrompido, é quase certo que grupos empresariais e legisladores americanos se rebelariam, segundo a Bloomberg. A perspectiva de tarifas mais altas também ameaçaria agravar as preocupações com a acessibilidade financeira às vésperas das eleições de meio de mandato de novembro, nas quais os republicanos de Trump já enfrentam uma batalha árdua para manter o controle do Congresso.
Atualmente, a maioria dos produtos — com exceções como automóveis — comercializados sob o acordo estão isentos das tarifas globais de Trump. Por isso, a saída dos EUA do USMCA pode causar prejuízos econômicos imediatos, expondo mais exportações mexicanas e canadenses a tarifas americanas mais elevadas.
Trump tem feito mais pressão sobre o Canadá e o México e ameaçou elevar as tarifas sobre produtos canadenses para 100% se o país negociar um acordo comercial com a China, aumentar as taxas sobre aeronaves canadenses para 50% se o país não aprovar certos jatos Gulfstream, recusou-se a permitir a abertura de uma nova ponte ligando Ontário e Michigan e prometeu impor tarifas sobre produtos do México e de outros países que exportam petróleo para Cuba.
O USMCA substituiu o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), que controlava o comércio entre os três países desde 1994, mas se tornou alvo da ira de Trump durante sua primeira campanha para a Casa Branca. Trump ameaçou abandonar o Nafta antes de concordar com o novo acordo, que endureceu as regras, aumentou as exigências de conteúdo automotivo dos EUA e incluiu uma cláusula de expiração, o que tornou necessária a renegociação neste ano.
Fonte: Valor Econômico
