Os Estados Unidos aumentarão tarifas e imporão restrições à exportação a países que tributam ou regulam empresas de tecnologia americanas, disse o presidente Trump na noite de segunda-feira. Trata-se de ameaça mais direta de retaliação contra nações que ele considera discriminatórias contra empresas como Google e Meta Platforms, as chamadas big techs.
“Aviso a todos os países com impostos, legislação, regras ou regulamentações digitais que, a menos que essas ações discriminatórias sejam removidas, eu, como presidente dos Estados Unidos, imporei tarifas adicionais substanciais às exportações desses países para os Estados Unidos e instituirei restrições à exportação de nossa tecnologia e chips altamente protegidos”, escreveu Trump em uma publicação em sua plataforma Truth Social.
Embora Trump tenha, por vezes, entrado em conflito com grandes empresas de tecnologia por causa de censura e outras questões domésticas, seu governo defendeu a causa delas em diversas negociações comerciais.
Trump e sua equipe se opõem há muito tempo às propostas da União Europeia, Canadá e outras nações para regulamentar e tributar empresas de tecnologia e plataformas da web — muitas das quais americanas.
No início deste ano, ele ameaçou impor tarifas mais altas ao Canadá, forçando-o a recuar em uma proposta de imposto digital, e iniciou uma investigação tarifária em resposta às leis brasileiras de tecnologia.
As políticas digitais europeias também têm sido uma questão fundamental nas negociações comerciais entre Washington e Bruxelas, e o recente acordo tarifário entre as economias pareceu deixar a questão sem solução.
A publicação de Trump foi feita horas depois de ele se reunir com o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung. O legislativo daquele país está considerando uma proposta de regulamentação de plataformas on-line que atraiu a ira de empresas sediadas nos Estados Unidos e foi anteriormente condenada pelo chefe de comércio de Trump. Não ficou imediatamente claro, no entanto, se Trump pressionou Lee sobre o assunto durante a reunião na Casa Branca na segunda-feira.
A ameaça de limitar as exportações de chips avançados necessários para treinar modelos de inteligência artificial pode gerar preocupação entre empresas de semicondutores como a Nvidia e a Advanced Micro Devices. Essas empresas comemoraram a decisão do governo Trump de limitar as restrições à exportação e permitir o livre fluxo de semicondutores pelo mundo, com menos ênfase nos riscos à segurança nacional.
No início de maio, o governo revogou uma regra da era Biden que limitava o número de chips que muitos países poderiam comprar.
Se Trump seguir adiante e usar os chips americanos como arma nas discussões comerciais, poderá criar mais incerteza para as empresas de tecnologia. Seu governo não concedeu muitas licenças necessárias para exportar chips para muitos países, frustrando empresas como a Microsoft, que precisam deles para construir data centers no exterior.
Trump tem sido criticado nos últimos meses por republicanos defensores da segurança nacional, que se preocupam com a possibilidade de os chips enviados para o exterior caírem em mãos erradas.
Fonte: Valor Econômico