Por Guilherme Pimenta e Estevão Taiar — De Brasília
28/07/2022 05h02 Atualizado há 5 horas
Apesar das turbulências recentes nos mercados, o Tesouro Nacional planeja manter a sua estratégia de financiamento da dívida para o ano. A avaliação foi feita ontem pelo coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Luís Felipe Vital.
Em entrevista coletiva referente ao Relatório Mensal da Dívida (RMD) de junho, Vital destacou que o colchão de liquidez da dívida pública alcançou R$ 1,221 trilhão no mês passado, montante R$ 139 bilhões superior ao previsto no Plano Anual de Financiamento (PAF). A quantia é suficiente para cobrir 9,75 meses de vencimentos de títulos à frente. “Por isso, é importante trazer mensagens que o Tesouro não vislumbra mudança na estratégia, não teria razões para mudanças, mesmo com a volatilidade recente que observamos nos mercados. A reserva de liquidez está acima do planejado de quando traçamos a estratégia para o ano”, afirmou.
O Tesouro destacou três fatores responsáveis pela “surpresa” positiva no colchão de liquidez: dividendos recebidos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em junho, de R$ 19 bilhões: resultado operacional do Banco Central referente a 2021, de R$ 73 bilhões; e desvinculação de recursos de fundos públicos, de R$ 47 bilhões.
A partir do relatório divulgado ontem, o Tesouro também passou a publicar um novo indicador: o valor prudencial, que corresponde a três meses de vencimentos de títulos à frente, considerado pela autarquia um montante mínimo para a reserva. Em junho, o indicador somava R$ 556 bilhões.
Vital também disse que os dados mostram aumento de custos tanto no estoque da Dívida Pública Federal (DPF) e da Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFi) quanto na emissão de títulos em junho. O custo médio do estoque, sempre acumulado em 12 meses, da DPF aumentou de 9,86% em maio para 10,9% em junho, o maior valor desde junho de 2017. No caso da DPMFi, o aumento foi de 10,58% para 10,98%, também o maior valor desde junho 2017. Já o custo médio das emissões da DPMFi alcançou 12,03% ao ano no mês passado, o maior desde maio de 2017.
O aumento do custo do estoque, segundo Vital, pode ser explicado pelas elevações do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e da Selic, dado o ciclo de aperto monetário. Em relação às emissões, ele citou as condições de mercado como fator responsável pelo aumento.
No sumário executivo do RMD, o Tesouro destacou que, em julho, “as preocupações com inflação e crescimento global voltaram a preocupar os mercados, com continuidade de aperto monetário das grandes economias e fortalecimento do dólar frente às principais moedas”.
“Houve piora na percepção de risco de economias emergentes. No mês, a curva de juros doméstica ganhou nível e inclinação”, diz o texto. A alta na parte longa da curva acompanhou “o movimento do câmbio e cenário de maior aversão ao risco no exterior, além do debate sobre riscos fiscais domésticos”, completa.
Os dados divulgados ontem mostraram que a DPF alcançou R$ 5,845 trilhões em junho. Em maio, estava em R$ 5,702 trilhões. Já a DPMFi atingiu R$ 5,595 trilhões, contra R$ 5,476 trilhões em maio. A Dívida Federal Externa, por sua vez, somou R$ 250,2 bilhões (US$ 47,76 bilhões) no mês passado, contra R$ 226,27 bilhões (US$ 47,85 bilhões) em maio.
Fonte: Valor Econômico

