Por Cris Almeida, Valor Investe — Rio
31/07/2024 06h20 Atualizado há 4 horas
Hoje é dia de mais uma “Superquarta”, quando os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos tomam novas decisões sobre juros no mesmo dia. Por aqui, a expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a Taxa Selic no patamar dos 10,5%, já que a inflação, principal preocupação do BC no momento, ainda não tem passado segurança na ancoragem.
Por lá, o horizonte é um pouco mais incerto. Integrantes do BC americano têm dado sinais de que a esperança por corte dos juros ainda neste ano não são equivocadas. Mas, como nem sempre dois mais dois é igual a quatro, na última semana, alguns dados demonstraram uma inflação um pouco acima do esperado.
Isso porque, se a inflação brasileira realmente pegar o caminho de alta, como tem projetado o Boletim Focus semana a semana, os juros permanecerão altos na tentativa de controlar o aumento dos preços. Por isso, as taxas dos prefixados (leia-se os papéis Tesouro Prefixado), por exemplo, devem ser empurradas para cima.
O pensamento é semelhante para os papéis atrelados à inflação. Quando há expectativa maior para o IPCA, índice oficial do país, os investidores buscam proteção e correm para o Tesouro IPCA+ para garantir que terão ganhos reais (acima da inflação) no futuro. Por isso, com a alta procura, o preço dos títulos sobe e as taxas caem.
Então, como me preparar para aproveitar os cenários?
No geral, os analistas já consideram que os juros dos títulos públicos estão em patamares atrativos.
O Tesouro Prefixado paga mais de 12%, valor bem acima do que é esperado para a Selic nos mesmos períodos de vencimentos dos papéis. Portanto, é um bom negócio para quem deseja investir, ainda que sofra alguma queda hoje. A recomendação, nesse caso, é que o investidor tenha cautela quanto ao prazo escolhido e o volume comprado, para evitar sofrer na marcação a mercado (a atualização diária do preço dos ativos, de acordo com todas as variáveis do dia).
Para os interessados em comprar papel indexado à inflação, os IPCAs, os juros oferecendo mais de 6% de retorno real (descontando a inflação) também são considerados bom negócio, sobretudo porque cumprem também a função de proteger a carteira contra o aumento dos preços. Alta ou baixa das taxas nesta “Superquarta”, não devem mudar completamente esse cenário.
Em todas as modalidades, para os investidores que já possuem esses papéis antes da disparada dos títulos públicos, a recomendação é de que permaneçam no investimento. Resgate antecipado, nesse caso, faz o investidor correr risco de perder dinheiro.
Vale lembrar que a relação é inversamente proporcional entre taxas e preços dos títulos. Na medida em que o preço sobe, a taxa cai e vice-versa. Quando as taxas sobem, portanto, apesar de ser uma boa notícia para quem vai investir — já que assegura rentabilidade maior se mantiver a aplicação até o vencimento, o valor de mercado dos papéis diminui, o que implica em perda temporária para quem já possui os títulos na carteira.
Fonte: Valor Investe
