Por Joshua Franklin — Financial Times, de Nova York
14/04/2022 05h02 Atualizado há 5 horas
Jamie Dimon: ‘nuvens negras no horizonte’ com a alta da inflação e a guerra — Foto: Giulia Marchi/Bloomberg
1 de 1 Jamie Dimon: ‘nuvens negras no horizonte’ com a alta da inflação e a guerra — Foto: Giulia Marchi/Bloomberg
Jamie Dimon: ‘nuvens negras no horizonte’ com a alta da inflação e a guerra — Foto: Giulia Marchi/Bloomberg
Os lucros do J.P. Morgan Chase recuaram no primeiro trimestre do ano por uma desaceleração no volume de transações fechadas, pelo aumento de suas reservas para se proteger contra uma eventual recessão nos EUA e por uma perda de US$ 524 milhões causada pela turbulência do mercado financeiro desencadeada pela guerra na Ucrânia.
O maior banco dos EUA em ativos inaugurou ontem a temporada de divulgação dos balanços do setor. O banco teve lucro líquido de US$ 8,28 bilhões nos primeiros três meses de 2022, uma queda de 42% em comparação com o mesmo período do ano passado.
O resultado ficou abaixo das estimativas dos analistas, que era de lucro líquido de US$ 8,54 bilhões, de acordo com dados de consenso compilados pela Bloomberg, e é o primeiro indício de como a invasão da Ucrânia pela Rússia afeta Wall Street e aumenta os temores de que aconteça uma recessão.
O executivo-chefe do J.P. Morgan, Jamie Dimon, disse que o banco está otimista com relação à economia dos EUA, mas alertou os investidores para as “nuvens negras no horizonte” da alta da inflação e do conflito na Ucrânia.
“Não tenho como prever qual será o resultado disso. Espero que todas essas coisas desapareçam, vão embora, que tenhamos um pouso suave e a guerra seja resolvida. Mas eu simplesmente não apostaria em nada disso”, disse Dimon ontem em teleconferência.
O resultado do banco foi afetado por um aumento de US$ 902 milhões em sua reserva líquida de crédito. Destes, segundo o diretor financeiro do J.P. Morgan, Jeremy Barnum, cerca de US$ 300 milhões foram de reduções de valores associadas à questão da Rússia e outros US$ 600 milhões se devem à modelagem do banco que prevê um risco maior de recessão nos EUA.
O J.P. Morgan também sofreu uma perda de US$ 524 milhões em sua divisão comercial. De acordo com o banco, ela refletiu os maiores spreads nas taxas entre títulos corporativos e bônus do Tesouro dos EUA e por ajustes em avaliações de crédito por causa de uma exposição maior aos preços das commodities e às reduções de valores de contrapartes relacionadas à Rússia.
Barnum disse que aproximadamente US$ 120 milhões desses US$ 524 milhões resultaram do fato de o J.P. Morgan ter sido contraparte em uma operação a descoberto desastrosa do grupo metalúrgico chinês Tsingshan, que mergulhou o mercado do níquel em uma crise.
Dimon afirmou que o banco ainda faria uma avaliação sobre o que poderia ter feito de uma forma melhor para gerir a situação, além de analisar o papel da London Metal Exchange, que tem sido criticada por cancelar várias horas de operações. “Tivemos um pouco de má sorte neste trimestre. Vamos superar isso. Mais tarde faremos análises tanto sobre o que acreditamos que fizemos de errado, como sobre o que a London Metal Exchange poderia ter feito de outra forma. Não vamos fazer isso agora.”
A receita da área de investimentos do J.P. Morgan caiu 31% no trimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior, para US$ 2,05 bilhões, enquanto as transações mundiais caíram para o nível mais baixo desde o início da pandemia do coronavírus. As estimativas dos analistas eram de US$ 2,2 bilhões.
Apesar da perspectiva cautelosa, o banco informou que sua diretoria autorizou um novo programa de recompra de ações, no equivalente a US$ 30 bilhões, que começará em 1º de maio.
A área de operações de mercado (“trading”) do J.P. Morgan, que se beneficiou de intensas transações durante a recente volatilidade do mercado, também superou as expectativas, já que a receita caiu 3%, para US$ 8,75 bilhões, resultado bem superior às previsões dos analistas, de US$ 7,4 bilhões, acima dos níveis anteriores à pandemia.
As receitas com renda fixa, câmbio e operações com commodities, de US$ 5,7 bilhões, superaram as estimativas de US$ 4,6 bilhões, de acordo com David Konrad, analista da Keefe, Bruyette & Woods, que atribui o resultado à moeda mais forte e a receitas com mercados emergentes.
Dimon acrescentou que os investidores devem se preparar para mais volatilidade este ano, dada a força atual da economia dos EUA, o aperto da política monetária pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e grandes flutuações nos preços das commodities.
“Não posso prever nenhum cenário em que não se tenha muita volatilidade nos mercados daqui para a frente”, disse Dimon.
O banco apresentou um informe sobre o patrimônio comum tangível, uma medida importante de lucratividade, de 16%, abaixo de sua meta média de 17%.
Citigroup, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Wells Fargo devem divulgar seus resultados hoje. O Bank of America só o fará na próxima segunda-feira.
Fonte: Valor Econômico
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