
Sem um gatilho específico, os rendimentos dos Treasuries tiveram alta firme nesta quarta-feira, especialmente as taxas de prazo mais longo. O avanço ocorre à medida que os investidores, agora mais tranquilos quanto aos efeitos da guerra comercial na economia, redirecionam suas atenções para outras promessas do presidente americano Donald Trump, como os cortes de impostos, e o impacto que isso terá sobre o déficit fiscal americano. A medida pode ter efeito inflacionário e ameaçar a arrecadação.
No mercado de ações, as bolsas de Nova York fecharam em direções opostas, sem conseguir sustentar o rali do início da semana, exceto pelo setor de tecnologia.
O acordo comercial entre China e EUA no começo da semana foi importante para aliviar as tensões na guerra comercial e contribuiu para acalmar os temores do mercado. Agora, a perspectiva é que as negociações com outros países devem avançar e há menos chances de uma recessão global, o que impulsionou os ativos de risco.
No fim da tarde de ontem, os rendimentos dos Treasuries com vencimento em dois anos subiam para 4,057%, de 4.015% no fechamento anterior. Os rendimentos dos Treasuries com vencimento em dez anos avançavam para 4,545%, ante 4,473% na última sessão, representando a maior taxa desde 18 de fevereiro, antes do “Dia da Libertação” de Trump. Já os rendimentos dos Treasuries com vencimento em 30 anos eram negociados a 4,974%, de 4,908% no último fechamento, próximos, portanto, do nível psicologicamente importante de 5%.
“A liquidação na ponta longa da curva reflete o mercado assimilando as implicações da substituição do tema das tarifas pelo tema de cortes de impostos”, afirma o economista-chefe para EUA do Banco Mizuho,Steven Ricchiuto. O mercado acompanha de perto as discussões no Congresso dos EUA sobre o orçamento para o próximo ano fiscal, em meio a debates sobre um possível aumento nos gastos públicos.
O Bank of America (BofA), que está “tomado” (aposta na alta das taxas) nos juros reais americanos, vê que a ponta longa da curva de juros é a parte mais vulnerável do mercado de Treasuries, no momento em que há uma desconfiança crescente sobre os EUA por parte dos investidores estrangeiros.
Após o anúncio das tarifas, os Treasuries foram alvo de uma venda generalizada, à medida que o mercado se questionava sobre o status de “porto seguro” dos títulos públicos americanos. As políticas agressivas de Trump afastaram os investidores estrangeiros, que são fundamentais para financiar a dívida pública dos EUA por meio da compra de títulos do Tesouro.
Em Wall Street, as bolsas iniciaram a semana em forte valorização, com o mercado reagindo positivamente ao acordo entre EUA e China, mas apenas o setor de tecnologia tem dado continuidade ao rali nas últimas sessões.
No fechamento, o índice Dow Jones teve queda de 0,21%, aos 42.051,06 pontos, o S&P 500 subiu 0,10%, aos 5.892,58 pontos, e o Nasdaq subiu 0,72%, aos 19.146,809 pontos. Estendendo os ganhos do rali da véspera, os setores de comunicação (1,58%) e tecnologia (0,96%) estiveram entre as poucas altas do dia, enquanto saúde (-2,31%) e materiais (-0,96%) tiveram as maiores perdas.
Para o UBS Wealth Management, o setor de tecnologia ainda enfrenta incertezas, mas a perspectiva global de investimentos em inteligência artificial (IA) é promissora e a relação entre risco e retorno nas ações do setor ainda permanece atrativa. “Acreditamos que as ações de tecnologia devem continuar sua recuperação, sustentadas por um crescimento de lucros de 12% ou mais em 2025, especialmente se as manchetes sobre tarifas continuarem melhorando”, escrevem os analistas, em nota.
O Deutsche Bank tem recomendação underweight (abaixo da média do mercado) para as ações americanas, mas neutra para as Sete Magníficas – as grandes empresas de tecnologia, o que inclui Nvidia e Meta, por exemplo. O banco espera que a recente recuperação do S&P 500 persista no curto prazo, já que as empresas americanas são as maiores beneficiárias das reduções de tarifas.
Fonte: Valor Econômico
