Após forte alta na última sessão, os rendimentos dos Treasuries tiveram queda nesta quinta-feira, movimento impulsionado por dados mais fracos da economia americana, sugerindo inflação menor e atividade menos aquecida. Isso favoreceu parte das bolsas de Nova York – embora o rali das ações de tecnologia tenha perdido o fôlego visto nas últimas sessões. Os setores com melhor desempenho foram os considerados defensivos.
Por volta das 18h (de Brasília) os rendimentos dos Treasuries com vencimento em dois anos caíam para 3,969%, de 4,057% na véspera, e os rendimentos dos títulos com vencimento em dez anos recuavam para 4,430%, ante 4,538% na última sessão.
Já em Wall Street, o índice Dow Jones subiu 0,65%, aos 42.322,75 pontos, o S&P 500 teve alta de 0,41%, aos 5.916,93 pontos. A bolsa de tecnologia Nasdaq recuou 0,18%, aos 19.112,319 pontos. Todas as bolsas caminham para encerrar a semana no positivo e o S&P se mantém em alta no acumulado do ano, após registrar queda de mais de 15% no auge dos temores com a guerra comercial. Entre os setores, serviços públicos (2,12%) e itens básicos de consumo (2%) lideraram os ganhos, enquanto consumo discrecionário (-0,68%) e comunicação (-0,42%) lideraram as perdas.
Os dados da economia americana vieram mais fracos do que o esperado. O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) recuou 0,5% em abril, ficando abaixo da estimativa média dos analistas consultados pelo “The Wall Street Journal”, que apontava para uma alta de 0,3%. Na base anual, o indicador ficou em 2,4%, representando uma desaceleração sobre a última leitura, que marcou 3,4%.
As vendas no varejo vieram em linha com o consenso, com alta de 0,1% na passagem de março para abril. O grupo de controle da pesquisa, que simula o desempenho do consumo no Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, caiu 0,2%, abaixo da estimativa de alta de 0,3%.
“Os dados de abril são comparáveis a abrir uma cápsula do tempo – interessantes, mas com utilidade limitada para prever o que vem pela frente”, diz Steven Blitz, da TS Lombard, em relatório. Na visão dele, os dados ainda refletem distorções causadas por compras antecipadas devido à expectativa de tarifas e não capturam totalmente os impactos dos aumentos de preços que virão. No entanto, ele vê que os dados sugerem uma desaceleração na atividade. “Um corte de juros em julho ainda está longe de ser garantido, mas a sequência recente de indicadores sugere que a probabilidade é maior do que os 33% precificados atualmente pelo mercado.”
Apesar dos dados mais fracos, a preocupação com o equilíbrio fiscal têm aumentado à medida que o Congresso americano tenta aprovar um projeto que eleva o déficit. “O acordo comercial entre EUA e China sugere uma baixa disposição para impor tarifas que penalizem o consumidor americano. No fim das contas, mesmo considerando a arrecadação (agora reduzida) com tarifas, o déficit orçamentário dos EUA continuará aumentando – e o déficit em conta corrente provavelmente seguirá o mesmo caminho”, comenta George Saravelos, do Deutsche Bank.
Fonte: Valor Econômico


