Por Valor — Brasília
25/08/2023 08h27 Atualizado há 2 horas
O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou que “a luta contra a inflação não está ganha” e que a inflação de serviços não está “no patamar que gostaríamos”. Mas disse que “o tamanho do aperto [monetário], na verdade, vai depender do desenrolar da economia”. As afirmações foram feitas em entrevista concedida na última segunda-feira (21) à revista Veja, e publicadas nesta sexta-feira (25).
“Foi consenso absoluto que o ritmo para quedas e elevações deve ser sempre de 0,5 ponto”, disse Campos, referindo-se à sinalização mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom) para as suas próximas reuniões. “A luta contra a inflação não está ganha. Uma parte dela se situa ainda bastante acima da meta. O setor de serviços apresenta melhora, mas não no patamar que gostaríamos. Esse cenário demanda um ambiente de juros restritivos. O tamanho do aperto, na verdade, vai depender do desenrolar da economia.”
Em seu último encontro, o colegiado reduziu a Selic de 13,75% para 13,25%, sempre em termos anuais.
A respeito do novo arcabouço fiscal, Campos afirmou que, “mesmo que o superávit primário [do governo central em 2024] não seja igual a zero, se o governo mostrar um empenho nessa direção, consegue ganhar tempo”. O arcabouço estabelece como meta um resultado primário zerado no ano que vem, com intervalo de 0,25 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) para cima ou para baixo.
O presidente da autoridade monetária ainda afirmou que fica no cargo até o fim de 2024, quando acaba o seu mandato. “Sim, fico no cargo”, disse. “Acho que devo isso a todos os que acreditaram no projeto da autonomia do BC. Esse não é um assunto meu. É uma pauta institucional do país. “.
Fonte: Valor Econômico

