Hoje, a Abrafarma, associação do setor, divulgou nota relatando que o assunto está na pauta da semana do Congresso Nacional
Por Adriana Mattos, Valor — São Paulo
01/08/2022 13h01 Atualizado há 22 horas
O comando da Raia Drogasil (RD) disse hoje, em teleconferência com analistas, que a discussão sobre venda de medicamentos sem prescrição médica nos supermercados é antiga e que, em outros momentos em que supermercados buscaram comercializar esses itens, “não aconteceu nada” porque eles não têm estrutura para isso.
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A questão foi levantada na teleconferência por Danniela Eiger, analista da XP.
Hoje, a Abrafarma, associação do setor, divulgou nota relatando que o assunto está na pauta da semana do Congresso Nacional.
“Estamos falando em probabilidade [de mudança regulatória] e não vamos entrar nisso, isso está com a Abrafarma. Agora, vem de tempo já essa discussão. Quando os mercados entraram não aconteceu nada. Eles não têm ambiente para venda e farmácia de ‘super’ vende menos que as associadas da Abrafarma. Isso não nos tira o sono”, disse Eugenio De Zagottis, vice-presidente de planejamento corporativo.
O executivo ainda foi questionado sobre o aumento no piso salarial de farmacêuticos — a volta da discussão pegou de surpresa o mercado. Há diferentes projetos de lei tramitando na Câmara dos Deputados — um deles, aumenta o piso de R$ 1,2 mil para R$ 6,5 mil.
Associações e conselhos de empregados do setor vêm mobilizando parlamentares para a aprovação de um texto único.
“Somos muito gratos aos farmacêuticos, mas uma lei que aumenta salários de empregados de forma abrupta assim, não faz sentido. E quem vai pagar não é a farmácia, por causa da margem, mas o cliente. O Parlamento dá com uma mão e tira com a outra porque vai ter aumento de preço para todo mundo”, disse o executivo.
“São três farmacêuticos por dia por loja [em unidades que funcionam 24 horas] e isso é custo fixo. Uma loja nossa madura vende R$ 1 milhão por mês, e de nossos concorrentes, R$ 500 mil a R$ 600 mil, e de lojas de capital fechado menores, de R$ 200 mil a R$ 300 mil. Essa alta de salários vai onerar em mais R$ 20 mil a loja. Para nós, é uma alta de 2% em preço, para nosso concorrente direto, em 4%, e os menores, em 8% sobe o preço”, disse ele.
Resultados do trimestre
A RD ainda reforçou na teleconferência que a alta de 22% na venda no segundo trimestre sobre o ano anterior refletiu o repasse do aumento da inflação, logo, a tendência é não repetir esse ritmo de crescimento. Zagottis ainda disse que a margem bruta deve voltar para patamares mais normais no ano (sem citar taxas) e que as despesas irão se estabilizar ao longo do ano.
O lucro líquido da companhia de abril a junho foi de R$ 372,2 milhões, versus R$ 266 milhões um ano antes.
Sobre o braço digital, o grupo disse que o negócio vendeu R$ 3 bilhões em receita anualizada e deve chegar a atingir vendas que transformarão o negócio on-line numa dos três ou quatro maiores redes do país, olhando o braço isoladamente.
Veja tudo sobre o balanço da Raia Drogasil e outros indicadores financeiros, além de todas as notícias sobre a companhia no Valor Empresas 3601 de 1 O lucro líquido da companhia de abril a junho foi de R$ 372,2 milhões, versus R$ 266 milhões um ano antes — Foto: Divulgação
O lucro líquido da companhia de abril a junho foi de R$ 372,2 milhões, versus R$ 266 milhões um ano antes — Foto: Divulgação
Fonte: Valor Econômico