A Abras, principal entidade do setor supermercadista, confirmou em nota, minutos atrás, que sugeriu ao governo flexibilizar contrato de trabalho e a venda de medicamentos em supermercados, como forma de reduzir custos do setor e diminuir pressão inflacionária e alimentos. As informações sobre as medidas estudadas pelo governo foram antecipadas nesta tarde pelo Valor.
Segundo comunicado da entidade que acaba de ser publicado, a proposta envolve reestruturar o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) para permitir o fim da cobrança de altas taxas sobre a venda de produtos por meio dos cartões de benefícios de alimentação e refeição-convênio.
Envolve ainda a venda de remédios sem receita nos supermercados, o que pode reduzir os preços em 35%, diz a nota.
Outra sugestão refere-se à modernização do sistema de prazos de validade dos produtos e à redução do prazo de reembolso dos cartões de crédito.
Um dos pontos centrais nessa discussão é como essa agenda poderia, efetivamente, resultar em queda de preços ao consumidor. São, praticamente, todos pontos de uma negociação que ocorre há anos entre lideranças do setor e governos anteriores, e que não avançou nos últimos anos.
“Em consonância com a recente declaração do ministro Rui Costa, que destacou a prioridade do governo em baratear os alimentos, a Abras reafirma a importância de ações concretas para controlar a inflação e tornar o acesso aos alimentos mais acessível para a população”.
A ideia é que haja um recuo nas taxas dos cartões de benefícios de alimentação e refeição-convênio, que chegam a dois dígitos por venda, de forma que a economia gerada possa ser repassada aos preços. As redes varejstas pagam um percentual sobre a venda aos emissores dos cartões — que já se manifestaram contrariamente ao tema no passado.
“A entidade propôs medidas como a reestruturação do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), por meio do PAT e-social, com apoio da Caixa Econômica Federal, e que pode gerar economia da ordem de R$ 10 bilhões anuais”, diz a Abras no comunicado.
Outra medida envolve a flexibilização dos contratos de trabalho, algo que gera controvérsias e mexe no dia a dia do trabalhador, e a desoneração da folha de pagamento.
A intenção, segundo apurou o Valor, seria permitir que as empresas tenham mais trabalhadores em determinados períodos da semana, quando há demanda maior, de forma a equilibrar a escala de trabalho com a produtividade.
No fim das contas, alegam as companhias, isso reduziria custos, elevaria eficiência e seria repassado aos preços.
Uma das questões é como isso seria revertido em maior competitividade de preços, já que cada empresa tem a sua estratégia comercial independente e as companhias são todas concorrentes, parte delas com matrizes estrangeiras.
Sobre a desoneração da folha, ela ocorreria especialmente para o primeiro emprego e para pessoas com 60 anos ou mais.
Outro ponto envolve a definição de uma nova lei de validade de alimentos, com uma sugestão de data máxima até quando seria melhor o consumo, mas mais flexível que a data atual. Cerca de 0,5% da produção de alimentos é desperdiçada por ultrapassar a data de validade (chamado de “best before”).
Na visão da entidade, as propostas apresentadas têm o potencial de gerar “um impacto significativo”, não só no controle da inflação, mas também na criação de empregos e no fortalecimento da economia.
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Fonte: Valor Econômico