Por Stella Fontes — De São Paulo
05/01/2024 05h00 Atualizado 05/01/2024
Com histórias opostas de sucessão, em negócios familiares brasileiros que tiveram trajetórias também distintas, os herdeiros do grupo Lwart, que hoje tem a maior parte de seu faturamento no rerrefino de óleos lubrificantes, e da Unipar, maior produtora de cloro e soda cáustica e segunda em PVC na América do Sul, têm em comum a percepção de que é preciso entender o momento dos negócios e fazer mudanças quando forem necessárias.
Na história da Lwart, citada recorrentemente como um “case de sucesso” em termos de sucessão entre as empresas familiares brasileiras, chama a atenção a sofisticação da governança para seu tempo, segundo especialistas. No nível executivo, contou ao Valor o presidente do conselho do grupo, Carlos Renato Trecenti, foram duas sucessões até agora. Mas o maior aprendizado é que as transições são múltiplas, têm de ocorrer quando necessário e devem ser bem comunicadas.
“Todos focam muito na sucessão executiva, do CEO. Mas a verdade é que elas vão além: são de conselho de administração, de família, de sócios”, contou Trecenti, cuja família fundou o grupo há quase 50 anos e nem todos os descendentes seguem na sociedade.
Num primeiro momento, os fundadores foram para o conselho de administração. Depois, foi constituído o atual conselho de sócios e família. Desde 2020, Carlos Renato é o único membro familiar nos dois conselhos de administração existentes, um focado na Lwart Soluções Ambientais (que incorpora o negócio de rerrefino de lubrificantes) e outro direcionado ao mais recente negócio, de insumos agrícolas e biológicos.
“A comunicação, explicar que a sucessão era uma transição, foi importante”, afirmou o empresário. Participar da “Family Business Network” (FBN), uma rede que conecta milhares de famílias empresárias em todo o mundo, também fez diferença, sobretudo pela possibilidade da troca de experiências.
Descendente de uma família que empreende há quase 200 anos, Frank Geyer Abubakir, controlador da Unipar e portador de cerca de 5 mil documentos do histórico empresarial da família, conta que aprendeu que há muita confusão entre sucessão e perpetuação. “Perpetuação não é saudável, porque isso só fala pelo indivíduo. A tradição deve servir de instrumento para os seus sucessores, mas na escolha de seus próprios caminhos”, disse.
A família Geyer, que já foi dona de uma das maiores petroquímicas do país, tem histórico de disputas societárias que passam também por uma coleção de obras de arte valiosa. Ainda assim, a Unipar sobreviveu, hoje é menor do que foi antes, mas voltou à rota e ao plano de crescimento. “Na sucessão, é preciso preservar a história, mas de forma flexível, para que as próximas gerações possam se deparar com os novos tempos.”
Fonte: Valor Econômico
