Após o Banco Master e a Reag serem liquidados pelo Banco Central e estarem envolvidos em suspeitas de fraudes bilionárias, o ambiente no Brasil é de “deterioração institucional”, afirmou Luis Stuhlberger, CEO e chefe de investimentos da Verde, uma das gestoras de fundos mais tradicionais da indústria de multimercados no país, no evento do banco BTG Pactual “CEO Conference”, realizado nesta terça–feira (10).
“Ainda temos sorte de o Banco Central e a Polícia Federal terem gente boa investigando, mas o Judiciário e o Legislativo vão muito mal. Algumas coisas passaram da conta, como Banco Master e Reag. Mesmo com tudo meio combinado, vira insalvável. Minha impressão é que institucionalmente não estamos bem”, disse.
Conforme Stuhlberger, os empresários têm “medo de se manifestar” em relação a “absurdos que estão acontecendo” no Supremo Trubunal Federal (STF). “Convivemos com coisas boas, mas o ambiente é de deterioração institucional. Alguma coisa mais séria precisa acontecer para mudar isso. Uma vitória da direita seria positiva para incentivar um movimento nesse sentido”, afirmou.
De acordo com o gestor, apesar do medo, a vida “segue normal”. “Os lugares estão cheios, a bolsa sobe, as empresas ganham dinheiro, mas tem uma deterioração institucional. Não acho que é uma deterioração no curto prazo, é lenta e gradual, com ilhas de exceção”, disse.
Segundo Stuhlberger, o Banco Central ter evitado que o Master fosse vendido para o BRB foi uma “grande vitória”. Contudo, ele se preocupa com o Trubunal de Contas da União (TCU) afirmando que deve investigar e punir funcionários do Banco Central que faltaram com diligência. “Estamos sempre sendo ameaçados com esse tipo de coisa. Tenho sentimentos mistos sobre isso, embora não veja um risco de deterioração muito maior no curto prazo”, afirmou.
Fonte: Valor Investe
