Arturo Profili, um dos fundadores da Capitânia, acertou a sua saída da gestora que no ano passado completou duas décadas. Com R$ 20,3 bilhões ao fim de janeiro, a casa é uma das pioneiras no mercado de crédito privado no país, e depois desenvolveu as áreas de fundos imobiliário e de infraestrutura.
O executivo criou uma holding própria, a Saopaolo Investimentos, e em breve lançará uma nova plataforma. Inicialmente, o plano não é levar nenhum fundo da antiga sociedade, mas negociar de forma amigável a transferência de um dos veículos que tocava.
A intenção de Profili é construir uma plataforma mais nichada, de menor porte, com foco em estratégias menos líquidas e potencial de retorno maior. A ênfase será na alocação de capital proprietário em conjunto com single e multifamily offices, — os escritórios de gestão fortunas familiares —, bem como fundos de pensão e investidores estrangeiros.
Como a administração já relatou ao Valor, por 14 anos a Capitânia teve porte de pequeno a médio, rondando a faixa dos R$ 5 bilhões em ativos sob gestão. Nos últimos anos, acompanhou o florescimento do mercado de gestão de crédito no Brasil, até alcançar os R$ 10 bilhões em 2021. O maior salto veio com a venda de uma participação de 20% da asset para a XP, o que trouxe acesso a uma distribuição mais ampla de seus fundos de investimentos.
O gestor, assim como os principais sócios, já vinham gradualmente reduzindo a sua parcela na “partnership”, num movimento natural de renovação, e na sua saída agora, suas ações foram compradas pela tesouraria da Capitânia, segundo Flávia Krauspenhar, sócia do grupo de formação da gestora. “O Arturo nunca foi um camarada centralizador, formou muitas equipes aqui dentro”, diz. “Dá uma boa oxigenada, a turma está animada. No dia a dia não é só número, compensação, tem que haver espaço para [o profissional] se colocar, mostrar o seu trabalho e isso se reflete nas ações também.”
Além de Krauspenhar, o CEO, Ricardo Quintero e Caio Conca figuram como os principais sócios, ao lado de César Lauro da Costa e Carlos Emanuel Simonetti. O mais novo (Conca) está na faixa dos 40 anos, Simonetti nos 50 e Quintero nos 60, “todos com muito gás e anos pela frente”, continua Krauspenhar. “Temos uma equipe que fez uma longa jornada na casa, essa turma, com idade média mais alta, como política da Capitânia, de tempos em tempos, ano sim, ano não, vai aumentando o seu ‘equity’, porque se [a partnership] não renova, você perde talento.”
Profili segue na estrutura física da gestora enquanto faz a sua transição e vai contar com apoio dos sócios da Capitânia no negócio que planeja tirar do papel. Não havia intenção do grupo de fazer um crédito mais nichado, como o gestor pretende desenvolver.
A Capitânia atua nas frentes de crédito, infraestrutura e imobiliário e planeja encerrar 2026 com cerca de R$ 25 bilhões.
Fonte: Valor Econômico
