Especialistas listam dicas para reduzir danos e cuidar da imunidade, do sistema cardiovascular e da pele nestes dias
- O Estado de S. Paulo.
- 14 Sep 2022
- RAISA TOLEDO ESPECIAL PARA O ESTADÃO
Após dias de bastante calor, os moradores das Regiões Sul e Sudeste começaram a semana com tempo frio e chuvas em algumas localidades. Na capital paulista, os termômetros chegaram a marcar 30ºc no sábado. No domingo, as temperaturas caíram de forma abrupta, atingindo os 12ºc. De acordo com a Climatempo, os próximos dias também terão uma “gangorra” térmica no Estado de São Paulo.
As variações bruscas trazem vários impactos para a saúde, do ressecamento da pele ao aumento do risco de enfarte, passando ainda por alergias e infecções respiratórias. “O inverno é um período seco na maior parte do Brasil, o que leva à possibilidade de inúmeros processos inflamatórios das vias respiratórias superiores e inferiores, como a rinite e a bronquite. Essas inflamações podem levar a infecções bacterianas, como sinusite, amidalite e pneumonia”, explica Alexandre Naime Barbosa, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
O frio também favorece a queda da imunidade, o que aumenta a incidência de doenças como gripes e resfriados. A diminuição das defesas do organismo ocorre porque, com o corpo se esforçando para regular e manter a temperatura adequada em meio às mudanças climáticas, diminui o suprimento de energia destinado ao sistema imune e à produção das células de defesa.
SEM SOLUÇÃO INSTANTÂNEA.
Embora seja comum ouvir, por exemplo, que tomar vitamina C ou comer determinados alimentos afasta as chances de pegar gripe, não existe uma solução instantânea para se proteger. “A imunidade é fruto de um conjunto de ações e estilo de vida. É lógico que em situações em que você está com hipovitaminose (falta de uma ou mais vitaminas), precisa repor. É importante checar se os níveis de vitaminas estão adequados, mas a reposição sem diagnóstico não está indicada”, alerta Naime Barbosa, também professor da Unesp.
Isso não significa que não se pode fazer nada para prevenir os impactos das variações bruscas de temperatura sobre a imunidade. Manter o corpo hidratado, alimentação balanceada com a ingestão adequada de proteínas e cuidar da qualidade do sono são algumas das medidas indicadas pelo especialista. Além disso, é importante evitar o estresse, que pode ser físico ou psíquico. “Atividade física regular na intensidade que o seu corpo permite é fundamental”, pontua.
ENFARTE. Os sistemas respiratório e imunológico não são os únicos a sofrer com a oscilação térmica. Para controlar a temperatura corporal, o organismo contrai e dilata os vasos sanguíneos, de acordo com as condições climáticas. Se nos dias quentes a vasodilatação provoca a perda do calor para o exterior, no frio a vasoconstrição tenta mantê-lo, o que deixa os vasos sanguíneos mais estreitos e aumenta a pressão sanguínea.
Segundo Caroline Reigada, nefrologista especializada em medicina intensiva, esse cenário favorece problemas cardiovasculares e crises hipertensivas. “Nesse processo, pode ocorrer a constrição das artérias que irrigam o coração. A cada 10% de queda na temperatura, aumenta em 7% a chance de você ter enfarte, e ainda mais para quem já teve um (ataque cardíaco) previamente ou tem fatores de risco relacionados, como diabete, hipertensão e tabagismo”, afirma.
PELE. A ingestão de água é fundamental para a hidratação de todas as partes do corpo e, na pele, ela pode contar com a ajuda extra de loções e óleos hidratantes. Cláudia Merlo, médica especializada em cosmetologia, explica que as variações climáticas muitas vezes confundem sobre os cuidados necessários com o maior órgão do corpo humano. Mais do que o frio, ela considera que a queda de umidade é o que mais afeta a saúde da pele, que, quando fica mais seca, tende a coçar mais e agravar alergias e doenças inflamatórias. •
Risco aumentado Segundo especialista, a cada 10% de queda na temperatura, aumenta em 7% a chance de enfarte.
Fonte: O Estado de S. Paulo