Por Bloomberg
12/06/2023 10h47 Atualizado há 3 horas
Os acionistas bilionários da Americanasaceitaram ficar um período de cerca de três anos sem vender ações da empresa como parte de um plano de reestruturação, disseram pessoas a par do assunto.
O exato período de lock-up de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Sicupira ainda não está definido, e os bancos credores sugerem que ele seja ao menos até 2027, disseram as pessoas, pedindo para não serem identificadas porque as negociações não são públicas.
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A Americanas está negociando um plano de reestruturação com os bancos depois de revelar em janeiro um rombo contábil de R$ 20 bilhões que dobrou sua dívida, o que provocou uma corrida dos credores para exigir o pagamento antecipado e levou a empresa a pedir recuperação judicial.
De acordo com o plano, Lemann, Telles e Sicupira injetariam na empresa R$ 10 bilhões imediatamente e considerariam R$ 2 bilhões adicionais em duas parcelas, uma em 2026 e outra em 2027, dependendo de métricas de alavancagem ou liquidez.
Lemann, Telles e Sicupira possuem hoje conjuntamente cerca de 30% da Americanas, e, ao injetar R$ 10 bilhões por meio de um aumento de capital deteriam uma participação ainda maior que vai depender do interesse de outros acionistas na oferta pública.
Os bancos credores também acabariam detendo ações, já que estão dispostos a aderir a um pacote de R$ 10 bilhões que inclui uma conversão de dívida em ações, disseram as pessoas. Os bancos também teriam um período de lock-up de pelo menos parte de sua participação na Americanas, disseram as pessoas.
Um grupo de detentores de títulos locais trabalhando com o Felsberg Advogados prepara um documento para apresentar à empresa no qual pretende pedir um desconto menor sobre o valor de face da dívida no leilão reverso proposto no plano, que hoje é de 70% como ponto de partida. Esses detentores de títulos também estão pedindo que o pacote de R$ 10 bilhões de swap tenha uma opção de dívida pura, ou seja, de títulos não-conversíveis em ações, já que muitos fundos locais que possuem dívida simples da Americanas não podem deter ações ou conversíveis.
Um desconto menor no leilão não está sendo considerado pela Americanas, disse uma das pessoas, porque os detentores de títulos globais compraram com desconto ainda maior e as condições atuais poderiam ser atrativas para eles, segundo uma pessoa. A opção de dívida pura no swap está sendo incluída no plano, disse a pessoa.
O plano em discussão também prevê que os credores abram mão de seus direitos de processar a Americanas, e a Americanas abrirá mão de seus direitos de processar credores, disseram as pessoas. Mas o direito de processar os responsáveis se houver comprovação de fraude deverá ser mantido, disse uma das pessoas.
Um acordo final sobre o plano de reestruturação deve ocorrer em algumas semanas, disse uma das pessoas.
“A Americanas continua comprometida com os seus credores para a construção de um consenso sobre o plano de recuperação judicial, ainda sujeito a revisões e ajustes”, disse a empresa, acrescentando que “a companhia busca um plano que reflita visões compartilhadas e atenda às partes envolvidas”.
Fonte: Valor Econômico
