Ao assumir as conversas com os credores da Raízen, a Shell deve partir de sua proposta de aporte de R$ 3,5 bilhões e de um pedido para que R$ 23 bilhões em dívidas da companhia sejam convertidas em ações. Se a oferta da Shell prosperar, na prática, a Cosan será diluída no negócio e a petroleira passará a controlar a Raízen. A Cosan não tem recursos para acompanhar o aporte da Shell e tinha desenhado uma solução com capital do BTG Pactual, que se tornou sócio da holding no ano passado.
Na sugestão da Cosan, a Raízen seria dividida entre os negócios de energia e de distribuição. O BTG passaria a controlar a distribuição de combustíveis e, em contrapartida, ficaria com uma parte maior do endividamento da joint-venture. Ao todo, a Raízen tem R$ 55,3 bilhões em dívida líquida.
“Se a Shell quisesse seguir na distribuição, poderia aportar mais no negócio específico, poderia haver conversa. Mas as propostas foram negadas em um dia e, no outro, a empresa veio a público dizer que colocaria R$ 3,5 bilhões e que esperava que o sócio contribuísse na mesma medida, sabendo que o sócio, sozinho, não tinha dinheiro para acompanhar”, disse uma fonte que participa das negociações.
Recuperação extrajudicial não está descartada
Segundo fato relevante divulgado pela Raízen da noite desta quarta-feira, 4, a proposta dos acionistas controladores em análise prevê, além dos R$ 3,5 bilhões da Shell, mais R$ 500 milhões vindos do sócio fundador da Cosan, Rubens Ometto. A companhia acrescenta que não está descartada a hipótese de recuperação extrajudicial.
Sem recursos, a Cosan hoje está fora da mesa de negociações e aguarda o desenrolar das conversas da sócia com os credores. De todo modo, qualquer acordo firmado terá de ser submetido ao Conselho de Administração da companhia, hoje presidido por Ometto.
Do lado da Shell, fontes afirmam que a visão é de que separar os negócios hoje não seria o melhor caminho para a Raízen, sendo uma possibilidade no futuro, com a estrutura da companhia já ajustada. A não concordância nesse ponto impossibilitou a entrada de recursos do BTG e levou a companhia anglo-holandesa a escolher trilhar sozinha seu caminho de capitalização e renegociação do passivo da companhia.
Nas últimas duas semanas, representantes da Shell, Cosan, Raízen e BTG fizeram uma série de reuniões, incluindo encontros com determinados grupos de credores, em conversas em Londres, São Paulo e Rio de Janeiro, além de uma conversa em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 04/03/2026, às 17:11
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Fonte: Estadão
