O Senado dos Estados Unidos aprovou na noite de ontem o projeto de lei para encerrar a mais longa paralisação do governo federal do país. O texto agora irá para a Câmara dos Deputados, que estava em recesso desde setembro, onde a medida pode ser votada amanhã, apesar da resistência de parte dos democratas.
O projeto foi aprovado por 60 votos a 40, com oito democratas centristas se unindo aos republicanos. O acordo para aprovar o pacote que financia o governo até 30 de janeiro foi criticado pela maioria dos democratas, que acusaram os colegas de partido que se alinharam ao governo de “traição”.
A votação ocorreu após pressão do governo de Donald Trump, que, diante da expectativa da votação no Senado, já havia convocado de volta todos os deputados republicanos a Washington para acelerar a votação e encerrar o “shutdown”, que hoje entra no 42º dia.
“Gostaríamos de poder fazer mais”, disse o senador Dick Durbin, vice-líder dos democratas e um dos que rompeu com a cúpula do partido para chegar a um acordo com os republicanos. “A paralisação do governo parecia uma oportunidade para nos levar a uma política melhor. Não funcionou”, acrescentou.
O presidente da Câmara dos Deputados, o republicano Mike Johnson, havia afirmado antes da votação que notificaria oficialmente seus colegas a retornarem à capital assim que a votação fosse concluída no Senado. Ele cobrou, porém, que eles acelerarem o retorno a Washington em meio aos transtornos nas viagens aéreas no país por causa da falta de controladores de voo devido ao “shutdown”.
O acordo com os democratas centristas foi fechado no domingo após semanas de impasse. Eles concordaram em aprovar o financiamento do governo sem a garantia de uma extensão dos subsídios para programas de saúde, o que irritou muitos membros da bancada do partido no Senado e na Câmara, entre eles o líder democrata, Chuck Schumer.
Os republicanos do Senado se comprometeram apenas em pautar uma votação sobre a prorrogação dos subsídios da Lei de Cuidados Acessíveis, o chamado “Obamacare”, em dezembro, mas Johnson evitou assumir o mesmo compromisso, o que pode complicar o avanço do projeto na Câmara.
Johnson falou brevemente com jornalistas após a votação no Senado e disse esperar que a aprovação do pacote ocorra ainda nesta semana na Câmara, mas não deu um prazo para a votação. A expectativa, porém, é que o texto seja levado ao plenário amanhã.
Schumer, que recebeu críticas dos democratas em março, quando votou para manter o governo aberto, havia afirmado antes da votação que não poderia apoiar o acordo “de boa-fé”. “Não desistiremos da luta”, afirmou, acrescentando que o partido já “soou o alarme” sobre os custos dos planos de saúde se os subsídios do “Obamacare” não forem prorrogados.
Já o senador independente Bernie Sanders, que integra a bancada democrata, avaliou que desistir da luta foi um “erro horrível”. O democrata Chris Murphy concordou e afirmou que os eleitores que apoiaram os democratas de maneira esmagadora nas eleições da semana passada os instavam para que “se mantivessem firmes”.
O líder na Câmara, Hakeem Jeffries, por sua vez, manifestou apoio a Schumer. “O povo americano sabe que estamos do lado certo nesta luta”, comentou, ao apontar para os resultados eleitorais de terça-feira passada.
Além do financiamento do governo, o acordo prevê a reversão das demissões em massa feitas por Trump durante o “shutdown”, protege os funcionários federais de novas rescisões de contrato e garante que todos os que ficaram em licença no período recebam seus salários de forma retroativa.
Trump, que ainda não havia falado publicamente sobre o acordo, expressou apoio ao pacote negociado pelos senadores ontem, ao ser questionado por jornalistas na Casa Branca. “Vamos reabrir nosso país rapidamente. O acordo é muito bom”.
Fonte: Valor Econômico
