O choque nos preços do petróleo no mercado internacional irá se refletir no comportamento da inflação neste ano e levará o Banco Central a reduzir menos os juros do que o esperado. A avaliação é defendida pela equipe de economistas do SantanderCotação de Santander, liderada pela ex-secretária do Tesouro Nacional Ana Paula Vescovi, que ainda vê espaço para um câmbio um pouco mais apreciado do que o esperado anteriormente.
O petróleo mais caro levou o SantanderCotação de Santander a elevar de 3,9% para 4,5% sua projeção para o IPCA deste ano, exatamente no limite da banda superior da meta de inflação, ao avaliar o impacto direto por meio de combustíveis (gasolina, diesel e querosene de aviação), além de potenciais efeitos indiretos sobre as tarifas de energia elétrica, diante do maior uso de geração térmica, e sobre fertilizantes. “Por canais indiretos, o petróleo mais caro também pressiona custos de produção e fretes, além de reforçar a inércia da inflação ‘cheia’.”
Já em relação a 2027, o SantanderCotação de Santander vê um balanço de riscos inclinado para baixo e, por ora, manteve inalterada a projeção para a inflação em 4,0%.
Com pressões inflacionárias mais intensas em jogo, o banco avalia que o espaço para o ciclo de calibração iniciado pelo Banco Central será menor. “A deterioração moderada nas projeções de inflação reflete a dependência do modelo em relação à curva futura do Brent, que incorpora uma reversão parcial dos preços do petróleo. No cenário doméstico, o Comitê reconhece de forma mais clara a desaceleração do PIB no segundo semestre de 2025, mas destaca sinais de recuperação no primeiro trimestre de 2026”, observam os economistas.
No cenário-base do SantanderCotação de Santander, a média de preço do Brent na primeira metade do ano ficará em torno de US$ 90, desacelerando para US$ 75 por barril no segundo semestre. Assim, no contexto de um novo cenário-base para o preço do Brent e da revisão do IPCA, o SantanderCotação de Santander também elevou sua projeção para a Selic de 12% para 12,50% no fim deste ano e de 11,5% para 12% em 2027.
“Esse ajuste de +50 pontos-base em relação ao cenário anterior é menor do que o sugerido por regras tradicionais de política monetária, pois incorpora algum grau de acomodação por parte do BC, em linha com o manual para choques adversos de oferta”, observam os economistas do SantanderCotação de Santander.
Quanto ao mercado de câmbio, o banco nota que o dólar tem se fortalecido globalmente, mas observa que a taxa de câmbio doméstica tem sido negociada perto de R$ 5,30 por dólar. Para os economistas, no curto prazo, o diferencial de juros segue favorável, ao mesmo tempo em que os preços mais altos do petróleo melhoram os termos de troca e, portanto, fortalecem o saldo comercial.
“Contas externas mais fortes também tendem a reforçar a confiança dos investidores, sustentando fluxos de portfólio. Como resultado, o real pode apresentar desempenho superior ao de seus pares emergentes, mesmo em um ambiente de dólar globalmente forte. No entanto, vemos espaço limitado para a sustentação desses ganhos ao longo do tempo”, enfatizam os profissionais. Na revisão de cenário do SantanderCotação de Santander, a projeção para o dólar no fim deste ano caiu de R$ 5,90 para R$ 5,60, enquanto a estimativa para o fim de 2027 passou de R$ 6,00 para R$ 5,70.
Fonte: Valor Econômico
