As farmacêuticas Sanofi e Regeneron fecharam um acordo para expandir sua aliança estratégica no codesenvolvimento e na comercialização global de novos medicamentos de imunologia, em uma transação com valor potencial de até US$ 8 bilhões para a parceira norte-americana.
A farmacêutica francesa desembolsará US$ 1 bilhão adiantado à Regeneron, além de pagamentos contingentes de até US$ 7 bilhões atrelados ao cumprimento de metas clínicas, regulatórias e comerciais.
Ambas as partes dividirão em proporções iguais os custos de pesquisa, desenvolvimento e lançamento, bem como os lucros futuros gerados pelos novos tratamentos.
O acerto também encerra processos judiciais pendentes entre as duas empresas relacionados à colaboração.
O escopo ampliado da parceria incorpora quatro moléculas experimentais de nova geração desenvolvidas pela companhia americana voltadas a doenças imunológicas. O acordo assegura ainda à Regeneron a opção de integrar à aliança o lunsekimig, ativo experimental da Sanofi que está em fase de testes clínicos para o tratamento da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
Recentemente nomeada diretora-presidente da Sanofi, Belén Garijo classificou o movimento como um passo deliberado para reacender o motor de inovação da companhia. No mesmo sentido, o CEO da Regeneron, Leonard Schleifer, afirmou que a união busca replicar a trajetória de sucesso do Dupixent, medicamento codesenvolvido pela dupla e já aprovado para múltiplas indicações clínicas.
O Jefferies apontou que a expansão representa a primeira iniciativa estrutural da nova gestão de Belén Garijo para ancorar o horizonte de longo prazo da companhia, sinalizando agilidade e foco direto nas principais incertezas operacionais da tese de investimento.
O banco pondera que, embora os quatro compostos incorporados ainda estejam em fases iniciais de desenvolvimento, a reposição do portfólio é essencial para preencher o vácuo de receitas que será deixado pela expiração das patentes do Dupixent, projetada para a virada entre 2031 e 2032.
O J.P. Morgan também destacou que a consolidação do acordo com a Regeneron fortalece o portfólio em estágio inicial da Sanofi e elimina uma fonte de ruído judicial.
Na visão dos analistas, superado o destravamento dessa aliança, o mercado deve agora direcionar a atenção para as próximas etapas inorgânicas da farmacêutica europeia, monitorando a busca por novas aquisições de biotecnologias complementares e negociações para postergar o ingresso de concorrentes genéricos ou biossimilares frente ao Dupixent.
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Fonte: Valor Econômico