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A saída do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), do governo federal nesta semana dará início à pré-campanha pelo governo de São Paulo, com o lançamento informal da pré-candidatura do petista contra o governador e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na quinta-feira (19), Haddad deve fazer um balanço de sua gestão em evento na capital paulista com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em sua última atividade pública prevista como ministro.
Haddad e Tarcísio já começaram a montar suas chapas e a equipe da pré-campanha, e buscam definir quem será o vice e quem disputará a segunda vaga ao Senado. Os palanques do ministro e do governador terão peso relevante na disputa nacional, e as alianças locais estão sendo costuradas junto com Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidatos à Presidência.
Na quinta-feira, Lula e Haddad devem participar de uma homenagem póstuma ao ex-presidente do Uruguai José Mujica em São Bernardo do Campo, com a entrega do título de Doutor Honoris Causa (in memoriam). Mujica morreu em 2025. Na sequência, discursarão na abertura da “caravana federativa” em São Paulo, ao lado de ministros como Simone Tebet (Planejamento), Marina Silva (Meio Ambiente), Márcio França (Empreendedorismo) e do ministro e vice-presidente Geraldo Alckmin (Desenvolvimento), que participarão da chapa ou terão atuação relevante na disputa em São Paulo.
Mesmo antes de deixar o governo, Haddad e o PT já começaram a definir o núcleo-duro da pré-campanha. Como informou o Valor, o marketing ficará sob a responsabilidade do jornalista Otávio Antunes, que trabalhou nas duas campanhas anteriores de Haddad, à Presidência, em 2018, e ao governo do Estado, em 2022. A coordenação ficará com o presidente estadual do partido, Kiko Celeguim. Uma das indicações pessoais de Haddad é seu atual chefe de gabinete no Ministério da Fazenda, Laio Correia Morais, com quem trabalha desde que foi prefeito de São Paulo.
Na parte operacional estarão os deputados federais Jilmar Tatto e Carlos Zarattini, e os estaduais Paulo Fiorilo e Emídio de Souza. O dirigente nacional Laércio Ribeiro, ex-presidente do PT paulistano, foi chamado para participar, mas ainda não definiu. O programa de governo deve ficar com um deputado estadual do PT. A coordenação política, que ainda será montada, contará também com representantes de partidos da aliança (PSB, Rede, Psol e PV) e de movimentos populares.
O evento oficial para o lançamento da pré-candidatura deve ser feito depois de abril, quando a chapa já estiver definida.
Tarcísio acertou em 2025 com o marqueteiro Pablo Nobel para cuidar de sua campanha, e mantém no chamado “núcleo-duro” assessores e políticos que o acompanham desde sua passagem pelo governo federal. Entre eles estão os secretários Laís Vita (Comunicação), Guilherme Afif Domingos (Projetos Estratégicos) e Arthur Lima (Justiça), além do presidente do Republicanos, Marcos Pereira.
A tendência é Tarcísio manter o vice, Felício Ramuth (PSD), apesar de atritos com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e de suspeitas de lavagem de dinheiro contra o vice – negadas por ele.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, pressiona pela vaga e quer indicar o presidente da Assembleia paulista, André do Prado (PL), mas Tarcísio resiste. “Ramuth e o PSD devem ser mantidos, para não ter confusão com os outros aliados”, disse um interlocutor do governador. Tarcísio tem dito que o PL já está contemplado na chapa, com uma vaga ao Senado. O governador costura uma frente ampla de centro-direita, com Republicanos, PL, PP, PSD, Novo, Podemos e PSDB.
Em encontro em fevereiro com Flávio Bolsonaro, em São Paulo, o senador afirmou que Tarcísio deverá coordenar sua campanha no Estado. Flávio disse ter a previsão de anunciar em 30 de março a chapa de Tarcísio em São Paulo.
Tanto Flávio como Lula tentam construir palanques fortes no Estado e garantir boa votação, com o auxílio de seus candidatos ao governo, para compensar o desempenho em outros Estados.
Fonte: Valor Econômico