A saída líquida de dólares pela via financeira chegou a US$ 56,2 bilhões no acumulado de janeiro a outubro, o maior valor para esse período desde o início da série histórica, em 1982. Os dados foram publicados pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (25) e consideram o movimento de câmbio contratado.
O mercado de câmbio nas estatísticas do BC é dividido em duas partes: o câmbio comercial e o financeiro. O comercial é ligado ao comércio de bens, basicamente exportação e importação. Já o financeiro abrange todos outros fluxos, conta de renda, de serviços e financeira, como investimentos, empréstimos e emissão de título, como explicou o chefe do departamento de estatísticas do BC, Fernando Rocha.
O valor supera os US$ 32,1 bilhões registrados em 2023 e os US$ 55,4 bilhões de 2020, ano da pandemia.
O comercial registrou entrada de dólares de US$ 65,8 bilhões no mesmo período. Por isso, o fluxo cambial neste ano até outubro ficou positivo em US$ 9,6 bilhões.
A queda no ingresso líquido de capitais estrangeiros foi a principal mudança na conta financeira. O número saiu de US$ 54,8 bilhões de janeiro a outubro de 2023 para US$ 31 bilhões neste ano. “Ou seja, teve um ingresso líquido menor. Por exemplo, a gente tem tido, no caso de portfólio, saídas líquidas em ações que diminuem o total investido no país e contribui para diminuir o total desses fluxos também”, explicou o chefe do departamento de estatísticas do BC.
Rocha também apontou que na conta financeira houve o aumento na saída de serviços, de US$ 19,9 bilhões nos primeiros dez meses de 2023, para US$ 23,8 bilhões. Na renda primária, o resultado foi similar em 2023 e 2024, saída de US$ 39,6 bilhões, no ano passado, e US$ 38,8 bilhões, neste.
Já a saída líquida dos capitais brasileiros, que são operações de capitais brasileiros no exterior, passou de US$ 27,5 bilhões para US$ 24,6 bilhões.
Rocha destacou que a redução no ingresso de capitais estrangeiros ajuda a explicar o aumento das saídas líquidas. “Isso significa que está saindo mais capital do país? Na parte de pagamento de serviços, sim, na parte de capitais brasileiros, não, está tendo investimento ao contrário. Na parte de renda primária e secundária, a coisa está mais ou menos estável e tem uma redução no ingresso de capitais estrangeiros. Acho que esses são os principais elementos”, disse o chefe do departamento.
O chefe do departamento ainda afirmou que há uma sazonalidade dessa estatística com uma saída maior nos meses de dezembro. “Quando a gente olha as contas no balanço de pagamentos, ela (sazonalidade) se relaciona com remessa de recursos das subsidiárias no Brasil com suas matrizes no exterior sob a forma de lucros”.
O Banco Central já publicou as estatísticas atualizadas até dia 14 de novembro. Nesse recorte, o acumulado do no fluxo financeiro atingiu US$ 56,4 bilhões e o fluxo comercial, entrada de US$ 64,7 bilhões.
— Foto: Pixabay
Fonte: Valor Econômico
