27 Jan 2023
A Rússia fez ontem uma série de ataques contra alvos na Ucrânia, um dia depois de EUA e Alemanha aprofundarem o envolvimento ocidental na guerra anunciando o envio de tanques para os ucranianos. Segundo o general Valeri Zalujni, comandante ucraniano, entre os projéteis disparados estava o modelo hipersônico Kinjal. Ele afirmou que 47 mísseis foram derrubados. Ao todo, 11 pessoas morreram.
O Kremlin afirmou que a entrega de equipamento pesado representa o “envolvimento direto” das potências ocidentais no conflito e intensificou sua ofensiva em várias áreas da região de Donetsk, no leste da Ucrânia.
Os mísseis hipersônicos são armamentos mais precisos e eficazes, capazes de cobrir grandes distâncias e de mais difícil interceptação. Eles foram usados pela primeira vez na guerra em março do ano passado. Não está claro qual foi o alvo desta vez.
“O objetivo dos russos segue inalterado: pressão psicológica sobre os ucranianos e destruição de infraestrutura crítica. Mas nós não podemos ser derrotados”, escreveu Zalujni no Twitter.
Enquanto isso, forças de Vladimir Putin têm feito avanços lentos no sul e no leste do país. Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, voltou a criticar o Ocidente e sua promessa de entrega de armas pesadas. Segundo ele, os tanques americanos e europeus significam o envolvimento direto do Ocidente no conflito.
“Ouvimos declarações de capitais europeias e de Washington de que o envio de vários sistemas de armas, incluindo tanques, para a Ucrânia não significa o envolvimento desses países ou da aliança nas hostilidades. Discordamos veementemente disso”, disse Peskov.
PREVISÃO. Na quarta-feira, EUA e a Alemanha anunciaram o envio de tanques Abrams e Leopard à Ucrânia, superando meses de negociações. Os alemães aceitavam liberar os blindados apenas se os americanos também o fizessem – o que acabou acontecendo.
Ontem, Berlim anunciou que os 14 tanques serão enviados entre o final de março e o início de abril. Ainda não se sabe quando começará o treinamento para o uso dos Leopards. A Casa Branca disse que a capacitação para operar os tanques Abrams começará em “semanas, e não meses”.
A chegada dos tanques ocidentais representa um desafio logístico para a Ucrânia, que precisará treinar soldados para usar três novos tipos diferentes de blindados. Sobretudo os americanos, que consomem muito combustível, exigem grande apoio operacional.
AJUDA. A expectativa é a de que a quantidade total desse tipo de tanques deve ficar em torno de 100, cerca de uma brigada. Isso pode ser decisivo para ajudar as ofensivas ucranianas, embora seja considerado insuficiente para vencer a guerra.
Mais importante do que o envio em si foi a sinalização de que os aliados da Ucrânia estão dispostos a enviar mais armas pesadas. Os líderes ocidentais enfatizaram que a Otan não se tornará participante direta do conflito e não enviará suas tropas, mas as armas despachadas são cada vez mais sofisticadas.
Ontem, o chanceler da Ucrânia, Dmitro Kuleba, disse que pediu caças ao governo da Polônia, sinalizando que o próximo item na lista dos ucranianos serão os aviões de combate. “Se os conseguirmos, as vantagens serão imensas”, disse Kuleba. “Não são apenas os F-16. Aeronaves de quarta geração, é isso que queremos.”
AVANÇO. Até aqui, a Ucrânia recebeu apenas aviões da era soviética e peças sobressalentes para equipar a sua Força Aérea. Recentemente, no entanto, o governo holandês disse que avaliaria a transferência de alguns de seus 50 caças em coordenação com aliados.
Fonte: O Estado de S. Paulo.
