O pesquisador e cofundador da empresa de venture capital Castle Island Ventures, Nic Carter, escreveu em postagem na rede social X (Twitter) que a razão para o desempenho fraco do bitcoin (BTC) nos últimos meses é mais profunda do que se pensa. De acordo com ele, o mercado já está preocupado com o risco de quebra da criptomoeda pelo avanço da computação quântica.
Carter retuitou um post que dizia que o desempenho do bitcoin abaixo do ouro ocorre porque os assessores financeiros olham para a “ameaça existencial” proveniente da computação quântica e limitam a níveis pequenos ou nulos as alocações de seus clientes em criptoativos.
O post original cita que o head global de estratégia do banco Jefferies, Christopher Wood, removeu o bitcoin de sua carteira “GREED & Fear”, realocando toda a posição para ouro físico e ações de mineradoras do metal. A decisão de zerar a participação em BTC se deu após um estudo da Chaincode Labs estimar que 20% a 50% do bitcoin em circulação pode estar vulnerável à extração de chaves por meio de computação quântica.
“O desempenho ‘misterioso’ do bitcoin (devido à computação quântica) é a única notícia que importa este ano. O mercado está falando, os desenvolvedores não estão ouvindo”, disse Carter.
Em outubro, Carter já havia dito que a base da segurança do bitcoin é que os usuários possuem uma chave privada e dela nasce um endereço público de carteira em um processo impossível de reverter com a tecnologia que existia em 2008, quando a criptomoeda foi criada.
Um computador quântico poderoso, por outro lado, poderia mudar isso. Ele apontou que quando os computadores quânticos forem capazes de quebrar a criptografia de curva elíptica (ECC) das blockchains será possível retroativamente decifrar transações criptografadas.
No entanto, Alexandre Gomes, engenheiro especialista em criptografia pós-quântica da Dinamo Networks, diz que por mais que em teoria a computação quântica possa impactar a rede Bitcoin e outras blockchains, isso não se dará de forma imediata nem catastrófica, como muitas vezes se sugere.
Gomes afirma que computadores quânticos capazes de representar uma ameaça real ainda não estão disponíveis para agentes criminosos. “A tecnologia ainda se encontra em fase de pesquisa, desenvolvimento e experimentação, com limitações severas de escala, estabilidade e correção de erros. O consenso técnico atual indica que não há risco potencial concreto nos próximos 10 a 15 anos, no mínimo”, argumenta.
O especialista diz ainda que o surgimento de uma capacidade real de quebrar criptografia assimétrica seria amplamente sinalizado por avanços acadêmicos, testes públicos e demonstrações progressivas. Deste modo, Gomes avalia que haveria tempo para a rede reagir.
Fonte: Valor Econômico

