Por Wenxin Fan, Dow Jones — Hong Kong
09/01/2023 15h57 Atualizado há 17 horas
Uma das províncias mais populosas da China atingiu o pico de infecções por covid-19 na atual onda de casos que assola a China após o fim da política de “covid zero”.
Kan Quancheng, diretor da comissão de saúde de Henan, disse que até sexta-feira, 89% dos 100 milhões de residentes da província já haviam sido infectados pelas variantes ômicron que estão varrendo o país.
Outras regiões da China emitiram atualizações semelhantes, mostrando a rapidez do aumento de casos no país que vem ocorrendo desde o início de dezembro, quando Pequim acabou com quase todas as restrições destinadas a conter infecções. A mudança abrupta encerrou uma abordagem de abertura gradual para facilitar os controles.
Na segunda-feira, Zhejiang, uma província no leste da China, e Foshan, uma cidade industrial no sul da província de Guangdong, disseram que estão focando seus esforços para impedir que casos graves se acumulem após o fim do pico de casos.
No fim de semana, a Comissão Nacional de Saúde da China disse que as infecções em várias grandes cidades atingiram o pico. Jiao Yahui, da Comissão Nacional de Saúde, disse à principal emissora estatal do país, a “China Central Television” que havia sinais de que a procura por tratamentos de emergências estavam diminuindo em todo o país, embora as unidades de terapia intensiva ainda estivessem com alto nível de ocupação.
Em Henan, o número de pacientes ambulatoriais nas clínicas médicas da cidade atingiu seu ponto mais alto desde o dia 19 de dezembro, um dos fatores que fizeram as autoridades de saúde concluírem que a nova onda de casos havia “atingido o pico” e a província havia feito uma “transição ordenada” para salvar vidas.
O anúncio de Henan levou alguns moradores a perguntar qual era o número de “mortes por covid”, já que isso não havia sido mencionado no comunicado. Não foi possível determinar quantas mortes relacionadas à covid ocorreram na China durante a onda, já que a classificação do país exclui mortes envolvendo outras causas além de pneumonia ou insuficiência respiratória diretamente ligada ao coronavírus, uma definição restrita para os padrões globais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) pressiona a China para compartilhar dados mais confiáveis, dizendo que o país estava subdimensionado das mortes por covid-19.
Com 82% dos leitos de UTI ocupados, o governo de Henan disse que o aumento de casos não causou o colapso de seus hospitais, uma grande preocupação na China devido ao tamanho da população do país.
Nas últimas semanas, a província aumentou o número de leitos de UTI em 80%, para quase 22 mil, disse. A cidade também treinou e transferiu 7 mil trabalhadores médicos para unidades de enfermaria respiratória de outras partes do sistema de saúde. Henan também teve uma das maiores taxas de vacinação para a população idosa, disse o governo local.
A China ainda não revelou sua taxa de infecção nacional. Notas anteriores de uma reunião do NHC citaram quase 250 milhões de infecções entre 1º e 20 de dezembro.
Fonte: Valor Econômico

