Fernando Sampaio avalia o desafio da liderança de olhar menos para si e mais para a empresa
Por Jacílio Saraiva — Para o Valor, de São Paulo
29/08/2022 05h03 Atualizado há 3 horas
Um profissional precoce que soube equilibrar riscos e oportunidades logo no início da carreira. É como se pode definir, em poucas palavras, o começo quase inimaginável da trajetória de Fernando Sampaio, hoje diretor geral da unidade general medicines e presidente da Sanofi no Brasil. Filho de imigrantes portugueses que chegaram ao país na década de 1950, ele nasceu na pequena Primeiro de Maio, cidade de 11 mil habitantes na região metropolitana de Londrina (PR), e começou a trabalhar aos 11 anos. A mãe, viúva aos 29, precisava de ajuda para comandar a casa. “Eu queria ir ao clube, mas ela me mandava trabalhar”, diz o executivo, brincando, no novo episódio do CBN Professional, podcast realizado pelo Valor e a rádio “CBN”.
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Mesmo levando os estudos sempre em primeiro lugar, Sampaio foi da infância à adolescência cumprindo expedientes como empregado de depósito de material de construção, garçom e ajudante em um escritório de contabilidade. “Na época, era difícil entender por que eu precisava trabalhar, mas hoje reconheço o valor dessa trajetória”, lembra ele, que fazendo jus ao perfil de “menino-prodígio” ingressou na faculdade de ciências, na Universidade Estadual Norte do Paraná, aos 16, e casou-se aos 21.
O caminho na indústria farmacêutica começou a ser trilhado em 1996 – ele passou a ser representante de produtos de uma marca nacional e visitava médicos para mostrar as novidades do portfólio. Pouco tempo depois, entrou no Abbott, laboratório de origem americana, onde ficou por sete anos. Foi gerente distrital, promovido a regional e nacional, até ser abordado pela francesa Sanofi, em 2001. “Na época, o Abbot já era uma grande companhia e a Sanofi era pequena, estava começando no Brasil. Foi uma decisão de risco, mas uma aposta certeira, acreditando no futuro”, analisa. Estava muito satisfeito com o trabalho, mas a empresa colocou um desafio na minha frente, diz. “Me ofereceu uma jornada profissional, em que queria que eu depositasse toda a minha experiência”. Este ano, Sampaio completou 21 anos na farmacêutica.
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Sampaio, hoje CEO da Sanofi, começou a carreira como empregado de depósito, cresceu na área farmacêutica até assumir postos de liderança da Sanofi no Brasil e exterior — Foto: Divulgação
Liderou, de 2011 a 2015, a antiga unidade de farma, que compreendia os negócios general medicines e consumer healthcare. Depois, foi diretor geral do grupo em Portugal e, após dois anos, assumiu a liderança no México, onde exerceu também a função de gerente geral da divisão de vacinas Sanofi Pasteur. Em julho, a Sanofi alcançou lucro líquido de 1,1 bilhão de euros – as vendas subiram 16% em relação ao ano passado, para 10,2 bilhões de euros.
Desde janeiro deste ano, Sampaio representa a operação no Brasil e a unidade de genéricos no país. Não há propriamente a figura de um CEO nas filiais e o executivo divide as decisões ao lado de outros diretores gerais, responsáveis, por exemplo, pelos negócios de vacina e consumo.
“Nesse modelo de gestão, o grande desafio é ter alguém que saiba compor tudo, construir as pontes”. Também é necessário lidar com vaidades, até para garantir coesão em termos de cultura, afirma. “Quanto mais você sobe na pirâmide corporativa, na hierarquia, mais delicada são as relações: de poder e decisão. É importante ter pessoas nessas posições que pensem primeiro na empresa e não no interesse pessoal e na crença de que sua visão é a absoluta e mais importante.” O episódio está disponível nas principais plataformas de streaming, como Spotify e Apple Podcasts, e no site da CBN.
Fonte: Valor Econômico