Por Gabriel Roca, Valor — São Paulo
25/08/2023 10h06 Atualizado há uma hora
Ainda que a abertura dos dados do IPCA-15 divulgados há pouco pelo IBGE não exiba uma composição amplamente negativa, o quadro inflacionário, atualmente, reforça que o Banco Central não está na iminência de acelerar o ritmo dos cortes de juros. Essa é a avaliação do economista-chefe do Banco Bmg, Flavio Serrano, para quem houve alguma euforia após os dados de inflação de julho e o número de hoje indica que a batalha pela desinflação ainda não foi superada.
“Como tivemos algumas surpresas positivas recentemente, criou-se uma certa euforia e o número de hoje mostra que o quadro não é bem assim. Está melhorando, é inegável, mas a desinflação é lenta e o quadro geral reforça que o BC não está na iminência de acelerar o corte de juros. O próprio Roberto Campos Neto lembrou que a batalha contra a inflação ainda não acabou, que há muito para ser feito, e é exatamente por isso que eles antecipam uma política monetária contracionista”, afirma Serrano.
De acordo com ele, a surpresa do IPCA-15 hoje veio bastante concentrada em energia elétrica e de uma piora nos bens industriais, devido a itens relacionados a higiene pessoal, que exibem grande volatilidade. Por outro lado, os serviços subjacentes desaceleraram, o que torna a leitura do índice “um pouco mais neutra”.
Neste contexto, o Bmg espera que o Banco Central irá manter o ritmo dos cortes de juros em 0,5 ponto percentual nas próximas reuniões, levando a Selic para 11,75% no fim do ano. “Ele pode até acelerar, existe a possibilidade, mas ela estaria muito condicionada a uma surpresa na atividade ou na inflação de serviços e, principalmente, apoiada em uma reancoragem das expectativas de inflação de médio e longo prazo. Com esses 3,5% em que as projeções de 2025 e 2026 estacionaram, vejo pouco espaço para ele acelerar o ritmo dos cortes”, afirma Serrano.
Fonte: Valor Econômico

