9 Jan 2024 ALINE BRONZATI
Os dados do desempenho do setor de serviços dos Estados Unidos, manteve a sensação do mercado de que a economia americana ainda corre o risco de enfrentar uma recessão moderada neste ano.
Para o economista-chefe de mercados da Capital Economics, John Higgins, ainda que o país consiga evitar um retrocesso da economia neste ano, como tem sugerido o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) doméstico, o Fed, o banco central dos EUA, deve reduzir os juros de “forma substancial”.
Segundo o economista-chefe do JPMorgan, Bruce Kasman, o relatório dos dados de emprego de ontem serve de questionamento ao otimismo do mercado quanto a uma flexibilização monetária agressiva e precoce nos EUA. Ainda assim, os melhores dados da inflação no país atenuam argumentos de que ainda há riscos de uma recessão no futuro.
A dúvida não é se os EUA enfrentarão uma recessão, mas se o ambiente na maior economia do mundo é suficiente para uma grande flexibilização monetária no país, segundo Kasman. “Penso que para o Fed o cenário ainda é consistente com a flexibilização monetária”, disse o economista do JPMorgan, ao falar a investidores, na sexta-feira.
O Bank of America afirmou que, apesar de os mercado de trabalho estar mais forte em dezembro, as revisões para baixo da criação de vagas nos meses anteriores reforçam um arrefecimento gradual da atividade laboral nos EUA. Nesse sentido, o cenário é mais consistente com um pouso suave do que com uma recessão no país.
“Mantemos a opinião de que a combinação dos dados da atividade e da inflação apoiará o início de um ciclo de flexibilização gradual em março”, disse o economista-chefe do Bank of America para os EUA,
Michael Gapen. O banco projeta cortes trimestrais de 0,25 ponto porcentual, totalizando um ponto porcentual neste ano.
MENOS OTIMISMO. Mais cético, o Citi vê o mercado otimista além da conta com a expectativa de um primeiro corte de juros nos EUA em março, o que não deve se concretizar. “Maio ou mais tarde é mais provável com o nosso cenário base para julho”, avaliou o gigante de Wall Street.
Para a consultoria Capital Economics, nesta altura do campeonato, o que realmente importa para o Fed são os novos dados da inflação dos EUA, previstos para a próxima semana. Passada a divulgação sobre a criação de vagas, os olhos de Wall Street se voltam ao índice de preços ao consumidor dos EUA no mês de dezembro, que será conhecido na quinta-feira, e o índice de preços ao produtor americano, no dia seguinte. “Esperamos que esses índices deem suporte para uma ação precoce (corte nos juros) do Fed”, afirmou a Capital, em relatório a clientes.
Para o presidente dos EUA, Joe Biden, o relatório de empregos onfirmou 2023 como um “grande ano” para os trabalhadores ainda que os preços estejam “muito altos” no país. •
“Mantemos a opinião de que a combinação dos dados da atividade e da inflação apoiará o início de um ciclo de flexibilização gradual em março” – Michael Gapen / Economista-chefe do Bank of America
Fonte: O Estado de S. Paulo.
