O investimento global em private equity somou US$ 2,1 trilhões em 2025, o segundo maior nível já registrado pela indústria – que atingiu seu ápice com os US$ 2,5 trilhões de 2021 –, de acordo com a edição mais recente do relatório Pulse of Private Equity, da KPMG. No Brasil, onde essa indústria enfrenta uma seca de recursos, a melhora ficou praticamente restrita a setores ligados à infraestrutura.
Apesar do valor global relevante, o período também foi marcado por maior seletividade e grandes transações no mundo, com o número de operações caindo para 19 mil, o menor patamar em cinco anos. Incluem fechamentos de capital (public-to-private) e aquisições estratégicas.
Entre os dez maiores deals das Américas, apenas um é brasileiro: a aquisição da fabricante de equipamentos médicos estéticos Medsystems, por US$ 3,3 bilhões, pela sul-coreana Classys, apoiada pela Bain Capital. As outras nove operações ocorreram nos Estados Unidos, que concentraram mais da metade do volume financeiro em 2025, ou US$ 1,1 trilhão.
Na América Latina, o número de transações recuou de 10,08 mil em 2024 para 9,12 mil em 2025, o menor nível em cinco anos, com alguma resiliência apenas em infraestrutura e recursos naturais. “Foi o ano da infraestrutura na América Latina, com interesse enorme no setor”, diz o líder de advisory para a América Latina da KPMG nos EUA, Jean-Pierre Trouillot, em comentário no relatório.
“Diversas gestoras de private equity levantaram grandes fundos de infraestrutura, não apenas no Brasil, mas também em países como Colômbia, Paraguai e México. Também observamos forte apetite por negócios, com foco relevante em tecnologia e infraestrutura de telecomunicações. Esperamos que esse movimento continue a crescer em 2026”, conclui.
O segmento de infraestrutura também foi o único a registrar alta no número de transações no mundo, com o valor investido saltando de US$ 99,7 bilhões para US$ 154,2 bilhões. Já energia e recursos naturais passaram de US$ 213,3 bilhões para US$ 276,4 bilhões. O movimento acompanha a corrida por ativos ligados a IA, como telecom, data centers e geração de energia.
O relatório também aponta que o dry powder – recursos já captados pelos fundos e sem alvo definido – atingiu US$ 1,7 trilhão no mundo no fim do ano, enquanto os ativos sob gestão (AUM) superaram US$ 6 trilhões, reforçando a pressão por alocação de capital em 2026.
O valor das saídas também avançou, atingindo US$ 1,2 trilhão, o segundo maior em mais de uma década, embora o volume de exits tenha permanecido moderado, com 3,16 mil operações. Segundo o executivo da KPMG Brasil, os dados evidenciam a dificuldade contínua em retornar capital aos investidores e desbloquear os fundos do mercado de private equity.
“Olhando para este ano, há otimismo sobre o aumento das saídas, incluindo via abertura de capital (IPOs), que ajudam a impulsionar a confiança dos investidores e dar início a uma renovação nos negócios. Ainda há muito capital disponível para ativos de alta qualidade”, comenta o sócio-líder de private equity da KPMG no Brasil, Roberto Haddad.
Fonte: Pipeline
