A maciça entrada de novo capital no mercado de private credit por meio de seguradoras de vida e business development companies (BDCs) pode levar a uma deterioração da qualidade e dos retornos, alertou a Adams Street Partners.
Jeffrey Diehl, head de investimentos da Adams Street, argumenta em uma nova pesquisa que esse crescimento acelerado exerce uma pressão significativa sobre as equipes de investimento responsáveis por alocar esse capital. Segundo Diehl, esses chamados “hyperscalers” poderiam levar seus investidores “a uma jornada oculta de alocação forçada, que acreditamos ser provável aumentar o risco de crédito e corroer os retornos.”
Entre os pools de ativos de private credit que se expandem rapidamente estão as BDCs, que grandes gestores de private credit têm utilizado para oferecer a investidores de alta renda acesso à classe de ativos. Como esses veículos evergreen contornam questões complexas de tributação e gestão de caixa, oferecem yield imediato e fornecem liquidez se necessário, tornaram-se populares entre indivíduos com elevado patrimônio, acumulando US$ 128 bilhões em ativos, com a maioria (72%) concentrada nos seis principais produtos de empresas listadas em bolsa. As seguradoras de vida impulsionaram ainda mais esse crescimento ao canalizar capital da conta geral para o private credit.
Durante muito tempo os investidores institucionais foram os principais clientes dos gestores de private credit e, assim, regulavam as ambições de crescimento desses gestores. No entanto, com alguns gestores de private credit listados em bolsa detendo pools de riqueza e de seguros em rápido crescimento — que já superam seus ativos institucionais — esse poder regulatório brando foi significativamente reduzido.
Essa ausência de supervisão institucional das BDCs significa que os gestores ficam responsáveis por autorregular seu crescimento — quando têm pouco incentivo para fazê-lo. À medida que os ativos crescem, aumenta também a pressão para alocar esse capital. Diehl argumentou que essa urgência leva a padrões mais frouxos de underwriting, como covenants mais fracos, maior alavancagem e uma avaliação menos rigorosa dos tomadores de crédito.
A Adams Street relatou que os últimos oito trimestres de registros de grandes BDCs na Securities and Exchange Commission mostraram uma deterioração na qualidade do crédito, mesmo sem acesso à visibilidade sobre os balanços dos tomadores de empréstimo. Além disso, as agências de classificação de crédito vêm reportando cada vez mais aumentos nos defaults. Essa pressão de alocação nos maiores BDCs também começou a criar portfólios sobrepostos, que poderiam gerar efeitos em cadeia em múltiplos grandes BDCs caso surjam problemas com os empréstimos de private credit.
O gestor estimou que os administradores das quatro maiores BDCs perpétuas precisam investir, em média, US$ 23 bilhões por ano para manter seus fundos totalmente alocados. A maior BDC privada, por sua vez, é estimada em investir US$ 43 bilhões por ano, representando mais de um quarto do mercado anual de direct lending dos EUA. Para colocar em perspectiva, esse nível anual de alocação seria materialmente maior que o maior fundo de private credit com drawdown [chamadas de capital] já levantado.
Em um e-mail, Diehl disse ao Institutional Investor que os alocadores devem ser “muito seletivos em relação a quais gestores de PC [private credit] utilizam.” Especificamente, eles deveriam analisar detalhadamente a evolução da escala de alocação ao longo do tempo em todos os pools sob gestão, o alinhamento de interesses dos gestores com seus investidores versus seus acionistas, e os fundamentos e avaliações das empresas subjacentes no portfólio.
“Se um investidor já estiver exposto a um hyperscaler e quiser reduzir a exposição, pode tentar resgatar ações em uma BDC ou buscar vender participações de LP [limited partner] em fundos de PC no mercado secundário”, acrescentou.
Fonte: Institutional Investor
