Por Catarina Saraiva, Steven T. Dennis e Laura Litvan — Bloomberg
21/06/2023 05h03 Atualizado há 4 horas
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, terá a oportunidade nesta semana de esclarecer o que muitos consideraram uma mensagem confusa sobre o rumo das taxas de juros, com a tarefa extra de garantir a democratas e republicanos que a economia está no caminho certo.
O líder do Fed vai enfrentar perguntas de parlamentares hoje e na quinta-feira, seu primeiro depoimento no Capitólio desde o início de março, antes que a turbulência no setor bancário gerasse fortes críticas à instituição e obrigasse as autoridades a repensar sua estratégia de política. Desde então, as tensões financeiras mais agudas diminuíram, mas permanecem dúvidas sobre até que ponto o crédito mais apertado pesará sobre a economia e o que isso significa para o Fed.
Powell vai precisar assegurar aos republicanos que o Fed não está recuando em sua campanha para frear as pressões de preços, enquanto aponta aos democratas a resiliência da economia em meio aos planos das autoridades de elevar ainda mais os juros este ano.
“Os democratas estão nervosos, porque preferem declarar vitória e seguir em frente”, disse Stephen Myrow, sócio-gerente da Beacon Policy Advisors e ex-funcionário do Tesouro no governo George W. Bush. “Acho que vão tentar alertar desta vez contra novos aumentos. Mas os republicanos vão apenas martelar e agir como se a inflação não tivesse caído.”
Presidente do Fed vai enfrentar perguntas de parlamentares em 1º depoimento no Capitólio desde o início de março
Powell acaba de encerrar a reunião do Fed de 13 a 14 de junho, onde ele e outras autoridades decidiram não mexer nos juros pela primeira vez em 15 meses, mas sinalizaram que podem elevar a taxa mais duas vezes este ano. Observadores do Fed tiveram dificuldade para digerir a mensagem da coletiva de imprensa de Powell após a reunião, e congressistas disseram na semana passada que planejavam pressioná-lo para obter uma explicação.
“No momento, há muita confusão sobre o próximo passo”, disse Thom Tillis, senador republicano da Carolina do Norte.
O Fed elevou os juros em cinco pontos percentuais desde março de 2022, em uma das campanhas de aperto monetário mais rápidas de sua história. Agora, as autoridades têm espaço para respirar e monitorar os dados recebidos enquanto consideram seu próximo passo, disse Powell na semana passada.
A ação rápida do Fed ao longo do último ano – uma estratégia para recuperar o tempo perdido depois da falha de autoridades em perceber o nível de persistência da inflação – atraiu críticas de democratas progressistas, temerosos de que os juros mais altos causassem um aumento no desemprego. A taxa de desocupação subiu recentemente em relação ao nível mais baixo em 50 anos, mas empregadores continuam a contratar em ritmo acelerado.
Elizabeth Warren, senadora democrata de Massachusetts que tem criticado a política do Fed sob a gestão de Powell, mostrou otimismo sobre a pausa deste mês. “Há seis meses, o presidente Powell estabeleceu uma meta de desempregar 1% da força de trabalho”, disse em entrevista na quinta. “Ele não atingiu a meta, e espero que nos diga em junho que outros esforços foram bem-sucedidos em colocar a inflação em uma inclinação descendente, e que vai parar de se concentrar em aumentos dos juros destinados a elevar o desemprego.”
Apesar das contínuas preocupações com a inflação, que atingiu um pico de mais de 9% no ano passado, republicanos disseram estar receosos sobre como aumentos adicionais poderiam desestabilizar ainda mais o setor financeiro, após várias falências de bancos neste ano.
O depoimento desta semana – Powell vai ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara na quarta-feira e ao Comitê Bancário do Senado na quinta-feira – será a primeira oportunidade que parlamentares terão para perguntar publicamente ao presidente do Fed sobre os planos de mudanças regulatórias após o colapso de bancos no segundo trimestre.
Os democratas pressionarão Powell por normas mais rigorosas, incluindo a reversão dos aumentos para o limite de ativos de 2018.
Fonte: Valor Econômico
