Planos de saúde terão alta entre 9% e 10% nos contratos empresariais este ano Percentual fica abaixo dos últimos reajustes mas ainda assim é o dobro da inflação. Empresas reduzem reembolso e aumentam coparticipação para reduzir custos RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/04/2026 – 20:47 Planos de saúde coletivos terão reajustes de até 10% em 2023 Os planos de saúde coletivos terão reajustes entre 9% e 10% este ano, representando o dobro da inflação prevista de 4,80%. Apesar de menores que os 11% do ano anterior, os aumentos refletem custos médicos elevados e estratégias das operadoras para controlar despesas, como restrições em reembolsos e redes credenciadas. A expectativa é de reajustes mais moderados devido a medidas de contenção de custos. Os reajustes dos contratos coletivos de planos de saúde devem ser menores este ano. A estimativa de analistas é que as correções fiquem, em média, entre 9% e 10%. No ano passado, o aumento médio dos contratos empresariais e por adesão foi de 11%. Mesmo abaixo do percentual de 2025, a taxa é o dobro da inflação esperada para este ano. Segundo o último Boletim Focus, pesquisa do Banco Central, o mercado estima que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE, fique em 4,80% ao fim de 2026. No ano passado, as operadoras tiveram lucro operacional de R$ 24,4 bilhões, alta de 120,6% na comparação com o ano anterior. Nos últimos anos, as empresas aplicaram percentuais mais altos nos contratos numa tentativa de compensar as perdas registradas na pandemia. Em alguns casos, planos coletivos empresariais ou por adesão, que não têm teto de aumento limitado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) como os individuais, foram corrigidos em até 40%. Em 2024 e 2023, as altas ficaram em 13,19% e 14,14% respectivamente. Por que é tão difícil migrar de plano de saúde? Queixas superam 4.500, e ANS vai cobrar explicações A correção dos planos de saúde é calculada a partir de indicadores apurados no ano anterior. Uma das métricas é a inflação médica, que tem ficado bem acima do índice geral de preços do país, o IPCA. O indicador leva em consideração as variações de medicamentos, equipamentos hospitalares e novas tecnologias. Isso é combinado com a frequência de uso dos usuários, que aumenta a despesa com os serviços médicos. Há ainda a sinistralidade, que mostra a parcela das receitas da operadora que foi gasta com o uso em si dos planos, ou seja, os custos dos usuários. No ano passado, esse índice ficou em 81,7%, abaixo dos 83,7% registrados em 2024. Segundo a ANS, o resultado é explicado principalmente pelos reajustes das mensalidades, que superaram a variação das despesas assistenciais. Restrições definitivas Na carteira da Mercer Marsh Benefícios, consultoria que administra planos empresariais que somam 5 milhões de pessoas, a expectativa é que os reajustes fiquem em torno de 9%. Segundo Thomás Ishizuka, superintendente atuarial da companhia, a inflação médica da carteira ficou em 9,1%. Já a sinistralidade fechou 2025 em 78,4%. — Estamos vendo uma redução na inflação médica, e isso tem a ver com um maior controle pelas operadoras em relação às fraudes e melhores acordos de custos com as redes prestadoras credenciadas. Tudo isso resulta em negociações mais flexíveis de reajustes entre as operadoras e as empresas contratantes dos planos — afirmou o diretor executivo da consultoria, Marcelo Borges. Outros fatores que ajudam a explicar a previsão mais otimista para os reajustes em 2026 foram algumas medidas tomadas em larga escala pelas operadoras nos últimos anos para tentar frear custos. Regras para reembolso ficaram mais rígidas e a cobrança de coparticipação por procedimento realizado aumentou. Pelos dados da ANS, 53,3% dos contratos coletivos cobravam percentuais dos usuários a cada consulta, exame ou tratamento feito em 2020. Em 2024, ano com dados mais recentes, essa fatia alcançou 59,1%. Além disso, redes credenciadas ficaram menores em muitos contratos, com hospitais premium sendo substituídos por opções mais simples, destaca Vinicius Figueiredo, analista de Saúde do Itaú BBA, que prevê uma média de reajuste dos planos coletivos em torno de 10%: — São medidas para impor mudanças de hábitos dos beneficiários, seja buscar um médico da rede própria e não um profissional de fora para depois depender do reembolso, e até fazer o usuário pensar duas vezes antes de ir pra emergência porque tem uma coparticipação alta. Olhando o cenário como um todo, o reajuste vai ser menor do que em 2025. Analistas avaliam que essas medidas de restringir reembolso e coparticipação vieram para ficar e não devem surgir contratos sem essas exigências para quem usa plano de saúde. — Por mais que o remédio seja amargo, uma vez aplicado, o corpo se acostuma e tirá-lo é muito difícil. Temos um cenário de estabilização. Foram medidas necessárias para adequação do benefício, que estava caro. No final, esse equilíbrio sempre se traduz em redução de qualidade, seja da rede, do reembolso, enfim, para chegar num valor que se possa pagar — comenta Márcio Tosi, vice-presidente de Benefícios Corporativos da Acrisure Brasil. Na carteira da consultoria, que tem 2,2 mil usuários, empregados de mil empresas, a previsão de reajuste dos contratos é ainda menor, oscilando em 6%. Para Tosi, reajustes mais altos nos últimos anos ajudaram as operadoras a reequilibrar os resultados no pós-pandemia, quando os planos de saúde foram amplamente utilizados, dada a demanda reprimida, no ano do isolamento social: — Chegamos a 2026 com os resultados equilibrados, o que permite uma inflação médica menor, negociações melhores e reajustes menores. As operadoras, porém, seguem uma postura cautelosa. Presidente da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), que representa a maior parte das empresas do setor, Gustavo Ribeiro, admite que os resultados de 2025 mostram uma melhora no setor, mas argumenta que o cenário não é homogêneo: — Existe uma melhora no setor desde 2023, indiscutivelmente. O grande ponto é se essa melhora é suficiente para, de maneira linear, trazer sustentabilidade. O resultado operacional de 45% das pequenas e médias operadoras foi negativo. É algo a ser olhado com cautela. Menos ações na Justiça A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no ano passado, que aumentou as exigências para casos em que os planos de saúde são obrigados a cobrir procedimentos ou tratamentos fora do rol obrigatório da ANS é uma das expectativas do setor para uma redução nos preços dos contratos. “No final, esse equilíbrio sempre se traduz em redução de qualidade, seja da rede, do reembolso, enfim, para chegar num valor que se posso pagar” – Márcio Tosi, vice-presidente de Benefícios Corporativos da Acrisure Brasil. Em 2022, o rol da ANS — lista periodicamente atualizada com serviços médicos que as operadoras devem oferecer aos usuários — passou a ser exemplificativo, ou seja, apenas uma referência. E muitos usuários recorreram à Justiça a fim de obter acesso a tratamentos que não estavam explícitos na lista da agência. A judicialização era uma das justificativas dadas pelas operadoras nos últimos anos para os reajustes salgados nos contratos. Agora, com a decisão do Supremo, a previsão dos especialistas é um impacto menor na hora de reajustar as mensalidades, mas só a partir do ano que vem, prevê Bruno Sobral, diretor executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde). — Ainda são poucos meses desde a decisão, e existe um processo de entendimento sobre o tema pelas cortes inferiores.
Fonte: O Globo