Operação cria empresa de R$ 76 bi na bolsa; grupo da família Moll tentava vender corretora de seguro
Por Beth Koike e Maria Luíza Filgueiras — De São Paulo
08/11/2022 05h01 Atualizado
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A Superintendência Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou na noite de segunda-feira, sem restrições, a fusão entre Rede D’Or e SulAmérica, que cria uma companhia de R$ 76 bilhões em valor de mercado.
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A informação foi antecipada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”. A transação ainda depende da aprovação da Agência Nacional de Saúde (ANS) e do Banco Central. A Superintendência de Seguros Privados (Susep) já havia aprovado a operação em agosto.
Companhias concorrentes – notadamente a Dasa – fizeram manifestações junto aos reguladores desde que a transação foi anunciada, em fevereiro deste ano. Companhias do setor queriam a imposição dos chamados remédios pelo órgão antitruste, o que não aconteceu.
Maior companhia do setor de saúde no país, a Rede D’Or vinha conversando nos últimos meses com potenciais interessados em sua operação de corretagem de seguros, conforme três fontes ouvidas pelo Pipeline, site de negócios do Valor.
A Rede D’Or foi adquirindo pequenas corretoras regionais ao longo dos anos, que não chamam muita atenção diante do negócio robusto de hospitais, mas seu valor já passaria de R$ 1 bilhão. Ao menos é esse o patamar de preço que a companhia tem pedido aos interessados – e é aí que as negociações têm encontrado resistência.
Os ativos em discussão não incluem a fatia da Rede D’Or na administradora de planos Qualicorp, segundo uma das fontes. Só essa participação é avaliada hoje em bolsa em R$ 654 milhões.
Como de praxe, a Rede D’Or não tem assessor financeiro nas conversas, tocadas pelo time interno de fusões e aquisições.
A Rede D’Or começou a considerar a venda da corretora como uma sinalização de “boa vontade” aos reguladores diante do suspense sobre a aprovação da fusão com a SulAmérica – ainda que o negócio de corretagem do grupo da família Moll seja quase simbólico diante do tamanho da empresa combinada.
As fontes consideram que, sem uma proposta no patamar de preço que vem sendo pedido pela D’Or, as conversas vão esfriar dada a aprovação sem restrições no Cade. “Se chegar no preço, pode sair negócio. Senão, não tem mais pressa”, diz um executivo. (Colaborou Beatriz Olivon, de Brasília)
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Fonte: Valor Econômico