Por Tom Hancock, Bloomberg
18/01/2023 14h50 Atualizado há 19 horas
A China precisará que seus consumidores cautelosos comecem a gastar novamente para alcançar um crescimento econômico mais forte, mas dados recentes mostram que vai ser difícil.
O maior impulsionador do crescimento de 3% da economia do país no ano passado foi o investimento — ou formação bruta de capital — que inclui gastos com ativos duráveis, como edifícios e também estoques comerciais.
Foi uma quebra na tendência observada na maior parte da última década, em que todo ano os gastos com consumo eram o componente de crescimento mais rápido da demanda por bens e serviços.
O consumo per capita caiu no ano passado, de acordo com dados divulgados na terça-feira pelo Departamento Nacional de Estatísticas da China, à medida que o crescimento da renda desacelerou acentuadamente e as famílias pouparam mais. As famílias adicionaram um recorde de 17,8 trilhões de yuans (US$ 2,6 trilhões) aos seus depósitos bancários em 2022.
A retração na demanda do consumidor pode ser vista no setor de restaurantes, que foi prejudicado pelos confinamentos e restrições contra Covid no início do ano e pela rápida disseminação de infecções em dezembro, após a reabertura do país.
O setor de hotelaria e alimentação encolheu 5,8% no último trimestre do ano, superado apenas pelos 7,2% de queda do setor imobiliário.
Isso significa que a contribuição de 1 ponto percentual do consumo para o crescimento total da China provavelmente veio dos gastos do governo em serviços como testes em massa de coronavírus. Estimativas da Bloomberg ano passado sugeriram que o custo de testes em massa poderia ser próximo a 1% do PIB.
Como a demanda por serviços vem principalmente das famílias, a desaceleração nos gastos do consumidor fez com que o setor de serviços da China encolhesse como parcela do PIB em 2022, enquanto o setor secundário, composto por indústria e construção, aumentou sua participação.
Fonte: Valor Econômico
