Por Estevão Taiar, Valor — Brasília
17/07/2023 15h15 Atualizado há 17 horas
O diretor de política econômica do Banco Central (BC), Diogo Guillen, afirmou hoje que a pesquisa periódica sobre conjuntura econômica que a autoridade monetária pretende realizar com o setor não financeiro “envolve um monte de desafios”. A afirmação foi feita na live semanal realizada pelo BC. O tema da live desta semana era a importância da comunicação na política monetária.
“É superimportante [a pesquisa com o setor não financeiro]. Isso não tira a importância e nem a relevância do Focus (pesquisa semanal com o setor financeiro). É uma métrica complementar que vale a pena explorar”, afirmou.
Como exemplo de um dos desafios, Guillen afirmou que, “quando a gente pergunta para o setor financeiro qual a projeção de inflação, não faz tanta diferença perguntar qual o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) e qual é a projeção de inflação”.
“Todo mundo do setor financeiro sabe bem quais são os indicadores. Quando sai do setor financeiro, tem menos esse entendimento”, disse.
Segundo Guillen, temas como “para quais empresas vamos perguntar e “qual questionário vamos usar” precisam “ser muito bem pensados”.
“Estamos neste ponto: pensando os contatos com as empresas, com os pesquisadores que podem nos ajudar, nos outros bancos centrais [que realizaram pesquisas semelhantes]”, disse.
Ele reconheceu, no entanto, que “obviamente essa pesquisa não vai se tornar útil no dia seguinte” à implantação.
O diretor de política econômica também afirmou que a realização de entrevistas coletivas logo depois das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) tem “prós e contras”.
“Do lado positivo, você tira qualquer dúvida. Sai a decisão e você explicita o que aconteceu, para que não haja qualquer dificuldade na interpretação do texto”, disse. “Mas às vezes demora um pouco para maturar como colocar no texto o que aconteceu na reunião e como os outros entendem a reunião.”
No mês passado, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, revelou que a autoridade monetária vem estudando a possibilidade de realizar entrevistas coletivas depois da reunião do Copom.
Fonte: Valor Econômico
