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O perfil considerado moderado do gestor Scott Bessent, indicado para o cargo de secretário do Tesouro dos Estados Unidos, sustentou Wall Street na sessão de ontem e impulsionou uma nova rodada de valorização de ações de empresas americanas menores que tinham ficaram para trás em meio ao boom de papéis ligados à inteligência artificial nos últimos meses.
O índice Russell 2000, que mede o desempenho das “small caps” (ações de empresas de menor valor de mercado), fechou próximo ao seu recorde histórico, subindo 1,47%. Outros índices acionários americanos também encerraram no azul: o Dow Jones subiu 0,99%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq avançaram 0,30% e 0,27%, nessa ordem.
A indicação de Bessent também levou a uma inversão na curva americana de juros: o rendimento da T-Note de 2 anos caiu de 4,384% do fechamento de sexta-feira para 4,290% e a taxa do papel de 10 anos recuou de 4,411% para 4,284%. Ou seja: o retorno do papel de prazo menor passou a ser maior do que o título com vencimento maior.
A sessão também foi de queda expressiva do dólar globalmente. O índice DXY, que mede a relação entre o dólar e uma cesta de moedas, caía 0,58% no fim do pregão.
“O sentimento do investidor melhorou em direção a rendimentos mais baixos e desempenho sólido de ativos de risco. A percepção é que Bessent será uma voz da razão no que se refere ao déficit e à agenda tarifária de Trump – para não falar de cortes e extensões de impostos”, avalia Ian Lyngen, estrategista da BMO Markets.
Solita Marcelli, chefe de investimento para as Americas do UBS Global Wealth Management, vai na mesma linha e defende que Bessent expressou um tom mais moderado sobre tarifas em comentários públicos recentes, sugerindo usá-las apenas como uma ferramenta para negociações. “A reação inicial do mercado sugere que a escolha de Bessent nesse papelo crucial é vista pelos participantes do mercado financeiro como uma âncora de estabilidade e responsabilidade no gabinete Trump”, afirmou, em relatório.
“O sentimento do investidor melhorou em direção a rendimentos mais baixos e desempenho sólido de ativos de risco. A percepção é que Bessent será uma voz da razão no que se refere ao déficit e à agenda tarifária de Trump – para não falar de cortes e extensões de impostos”, avalia Ian Lyngen, estrategista da BMO Markets.
Segundo o CME Group, o mercado passou a precificar apenas três cortes de juros até o fim de 2025, todos de 0,25 ponto. Um deles seria agora em dezembro; outro ficaria para maio e mais um em setembro de 2024, com os ‘Fed funds’ encerrando o próximo ano no intervalo de 3,75% e 4%.
Os efeitos da escolha de Bessent foram sentidos até mesmo no mercado do ouro que, com a redução das incertezas sobre os rumos da economia, teve forte queda de 3,45%, também pressionado pela redução das tensões geopolíticas com as informações da construção de um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah. Já o petróleo caiu cerca de 3% com o possível cessar-fogo no Oriente Médio.
O alívio visto no cenário exterior também foi sentido no Brasil. O recuo nos rendimentos dos Treasuries (títulos do Tesouro americano) abriu espaço para uma redução relevante do prêmio de risco precificado na parte longa da curva de juros futuros doméstica. A perspectiva de um acordo de cessar-fogo também ajudou a reduzir o temor geopolítico dos agentes.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2026 teve alta de 13,245% do ajuste anterior a 13,28%; e a do DI de janeiro de 2027 recuou de 13,38% para 13,35%.
O dólar à vista, por sua vez, teve queda de 0,14%, cotado a R$ 5,8059, enquanto o Ibovespa fechou estável, com leve recuo de 0,07%, aos 129.036 pontos.
O movimento visto lá fora pode abrir uma “janela de oportunidade” para os ativos locais, na visão de Dan Kawa, gestor da We Capital, em postagem nas redes sociais.
“Sua política fiscal mais responsável e sua visão de um dólar fraco ajudam a acomodar as taxas de juros longas nos EUA e a frear – mesmo que pontualmente – o movimento de dólar forte no mundo. Estes são dois movimentos que vinham ajudando a causar pressão negativa nos ativos locais. Agora, o Brasil precisa fazer o seu ‘dever de casa’, mostrando vontade política em promover um ajuste de gastos públicos que seja crível e viável”, escreveu Kawa.
Após mais um dia de reuniões, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi “definitivo” e que o pacote de gastos foi “pacificado” com o chefe do Executivo. Segundo Haddad, medidas que atinjem os militares estarão no pacote. A expectativa é que o anúncio oficial ocorra hoje.
Fonte: Valor Econômico
