Por Eduardo Magossi, Valor — São Paulo
06/01/2023 19h41 Atualizado há 2 dias
O dólar segue pressionado no exterior com a expectativa de Wall Street de que o Federal Reserve (Fed) irá reduzir o aperto monetário diante de sinais revelados hoje pelo relatório de emprego dos EUA (“payroll”) de dezembro de que o mercado de trabalho está desacelerando.
O índice DXY – que mede a relação do dólar com uma cesta de moedas – fechou esta sexta-feira em queda de 1,08% a 103,911 pontos. Com isso, o euro avançou 1,33% ante a moeda americana, a US$ 1,06610, e a libra fechou em alta de 1,55%, a US$ 1,20920.
O otimismo com o payroll levou os investidores a recuarem a expectativa de taxa final de ciclo para 5%, o que derrubou de forma expressiva os rendimentos dos Treasuries.
O relatório de empregos dos EUA revelou uma desaceleração no aumento de criação de vagas em dezembro para 223 mil novos empregos ante 263 mil em novembro. Também mostrou que a alta dos salários foi mais moderada, de 4,6% na base anual, ante 5,1% no mês anterior. Porém, esse ritmo de criação de vagas ainda é considerado elevado por autoridades do Fed.
Hoje, o presidente da regional do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, disse que o ‘payroll’ não muda o cenário de aperto monetário do banco central, que deve continuar elevando as taxas até o intervalo entre 5% e 5,25%.
Já a diretora do Fed, Lisa Cook, alertou que a inflação segue alta e que não se deve dar tanto peso a dados mensais, que são muito voláteis.
Bostic também disse que não acredita que uma recessão nos EUA e, caso ocorra, será breve e fraca.
Na leitura do economista do ING, James Knightley, contudo, embora o índice de empregos tenha vindo forte, há sinais de que o mercado de trabalho está desacelerando, com o ‘payroll’ mostrando o quinto mês consecutivo de aumento de demissões de trabalhadores temporários, os primeiros a serem demitidos em períodos de baixo crescimento. Ele também cita a contração pelo quarto mês consecutivo do índice ISM de atividade industrial, o que sugere que as empresas vão começar a ter uma posição defensiva, reduzindo custos, incluindo através de demissões.
Para Edward Moya, analista da Oanda, Wall Street está gostando do ‘payroll’ porque ele mostra que as contratações continuam mas as pressões nos salários estão caindo. Moya estima, contudo, que o Fed seguirá no aperto mas o risco de novas altas no segundo trimestre está diminuindo com a expectativa otimista de que os salários continuarão o movimento de queda.
O ‘payroll’ fez o mercado reprecificar novamente sua taxa de final de ciclo. Se ontem os futuros dos fed funds mostravam uma expectativa de que os juros atingissem 5,25% em maio, agora o mercado espera mais duas altas de 0,25 ponto em fevereiro e março, chegando a uma taxa final de 5%. O mercado também precifica que o Fed começará a cortar os juros em novembro, em 0,25 ponto, apesar das autoridades do Fed deixarem claro que não pretendem cortar os juros esse ano.
Com a taxa final menor diante do sentimento de que a inflação vai recuar com a desaceleração dos salários, os rendimentos dos Treasuries voltaram a cair. O rendimento do título de 10 anos era negociado a 3,56%, de 3,719 ontem. Já o yield do papel de dois anos caiu de 4,466% ontem para 4,262% hoje.
“O payroll foi positivo para os títulos de curto prazo elevando a demanda para o papel de dois anos e derrubando seu yield porque o dado salarial foi benéfico”, disse à Dow Jones o chefe de investimentos da Facet Wealth, Tom Graff.
Segundo ele, contudo, o dado da atividade de serviços do ISM foi ainda melhor.O índice de atividade do setor de serviços dos EUA, medido pelo Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês), caiu de 56,5 em novembro a 49,6 em dezembro, entrando em território de contração (abaixo de 50 pontos) pela primeira após 30 meses consecutivos de crescimento.
“Há uma tese de que enquanto os gastos com bens foram caindo, os gastos com serviços continuaram firmes. O ISM de hoje é uma forte evidências que as empresas de serviços também estão vendo o enfraquecimento da economia, e se isso for verdade, sinaliza para um enfraquecimento generalizado da economia.
Fonte: Valor Econômico
