O processo de venda da área de fundos imobiliários do Credit Suisse pulou de fase. As propostas “não vinculantes” foram enviadas na semana passada e as instituições participantes já foram informadas pelo UBS BB – que coordena a operação – se passaram para a etapa seguinte e vão prosseguir nas negociações para uma oferta vinculante, com a intenção firme de compra.
O Pátria Investimentos teria apresentado a melhor proposta financeira, na casa dos US$ 120 milhões, o equivalente a R$ 600 milhões. Mas há outras condições que serão pesadas ao longo das conversas que vão se desenrolar a partir de agora. Um outro nome que aparece numa lista restrita que segue na disputa é o da Vinci Partners. A casa recentemente recebeu aporte de US$ 100 milhões da americana Ares Management, que tem US$ 384 bilhões sob gestão, para expandir operações na América Latina por meio de aquisições. Uma terceira asset avançou para a segunda fase. Já estariam fora do páreo Kinea, do Itaú, Jive e RBR. As gestoras não comentam.
Segundo uma fonte que acompanha o assunto, a estimativa é que o processo chegue ao fim ainda neste ano, isso sem incluir no prazo as burocracias finais para a assinatura do contrato.
O Pátria anunciou nesta semana um acordo para comprar a unidade de soluções para private equity da britânica Abrdn por 100 milhões de libras esterlinas (cerca de US$ 122 milhões). E teria fôlego para mais aquisições, segundo fontes a par dos planos.
Com um patrimônio da ordem de R$ 12 bilhões em fundos listados na B3, a se confirmar o valor aventado, a área de ativos imobiliários do Credit Suisse sairia num múltiplo de 20 vezes o lucro, segundo um executivo que avaliou o negócio. É bem acima da proporção observada em gestoras de recursos de ações ou multimercados, num intervalo entre oito e 15 vezes, na fase mais dinâmica de consolidação do setor.
Não se trata de uma negociação trivial, já que o Credit Suisse atua em administração e gestão de recursos. A divisão de ativos imobiliários não é uma asset separada dentro do grupo e a operação precisa ser cindida, com a convocação de assembleia de cotistas dos diversos fundos para aprovar a troca de gestão quando o negócio for concretizado. O risco é deixar a porteira aberta para a transferência para um terceiro, o que seria possível com aprovação de um quórum qualificado, representado por 25% dos investidores. Uma fonte diz que as peculiaridades do negócio “já foram superadas”.
O CS já passou por um episódio desses quando André Freitas, ex-executivo líder da área imobiliária do banco, criou a Hedge Investments, em 2017, levando consigo portfólios que tocava, cerca de R$ 2 bilhões de um total de R$ 5 bilhões que o grupo tinha à época. Hoje, a Hedge reúne R$ 8,2 bilhões.
O maior fundo imobiliário do grupo suíço, o CSHG Logística, tem um patrimônio de R$ 5,2 bilhões e quase 400 mil cotistas. O CSHG Renda Urbana, com R$ 2,3 bilhões, tem mais de 200 mil investidores, e o CSHG Recebíveis imobiliários, com R$ 1,6 bilhão, outros 100 mil. Não é fácil mobilizar bases desse tamanho.
O Credit Suisse foi adquirido globalmente pelo UBS, num acordo costurado num fim de semana em março pelas autoridades suíças para salvar o banco de uma crise de confiança que se estendia desde 2022. O negócio, que incluiu as operações no Brasil, foi concretizado em junho. Por aqui, divisão de fundos imobiliários foi colocada à venda no fim de agosto. Procurado, o UBS não comentou o processo.
Fonte: Valor Econômico
