Presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira (PI) afirmou na quinta-feira (8) que a pré-candidatura à Presidência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está consolidada e que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não deve entrar na disputa presidencial deste ano. Ciro reforçou que há uma insatisfação em relação a Tarcísio de seu partido e de outras legendas que participam da base de apoio do governador.
“Acho que a [pré] candidatura de Flávio está consolidada”, disse Nogueira ao Valor. “Tarcísio sempre me disse que só seria candidato com apoio de Bolsonaro. É por isso que acho que ele não vai ser candidato”, afirmou. O ex-presidente Jair Bolsonaro, inelegível e preso por tentativa de golpe de Estado, anunciou que Flávio o representará na disputa presidencial, em outubro. O filho de Bolsonaro lançou-se há pouco mais de um mês, em 5 de dezembro.
Nogueira reforçou as críticas do diretório paulista do PP em relação a Tarcísio e disse que o governador precisa mudar sua estratégia. “Existe uma reclamação grande dos partidos aliados e acho que ele tem que se aproximar dessas legendas”, afirmou.
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo publicada na quinta, Ciro Nogueira também reiterou a pré-candidatura de Flávio e disse que uma eventual candidatura presidencial de Tarcísio “está descartada”. Há três semanas, no entanto, o senador dizia que o plano presidencial de Tarcísio não era “um projeto enterrado”.
Tarcísio tem dito que deverá disputar a reeleição em São Paulo. A aliados, o governador indicava que só seria candidato à Presidência se tivesse o aval e o apoio da família Bolsonaro. O governador recebia o apoio de representantes de partidos de direita e do mercado financeiro.
Segundo informações do entorno de Tarcísio, a orientação no Palácio dos Bandeirantes é trabalhar pela reeleição em outubro. Aliados mencionam que o governador nunca se colocou como presidenciável e reiteram que ele sempre esteve voltado para a recondução no cargo – o lançamento de Flávio seria uma evidência disso.
Apoiadores avaliam que uma reviravolta pode levar governador de volta à disputa
No entanto, uma ala de apoiadores ainda considera a hipótese de que uma reviravolta leve Tarcísio de volta ao cenário presidencial. O governador tem feito críticas duras ao PT e à esquerda, defendendo que a direita se una contra a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Tarcísio fez manifestações públicas favoráveis à candidatura de Flávio, mas políticos vêm dizendo nos bastidores que o apoio dele foi pouco entusiasmado. O senador declarou nesta semana que recebeu a sinalização do governador de que poderá contar com seu apoio na campanha ao Planalto e que a relação deles “está boa”.
Em São Paulo, o PP tem demonstrado insatisfação com Tarcísio. O partido cobra mais recursos e convênios aos prefeitos, apoio ao deputado Guilherme Derrite (PP-SP), que deixou a Secretaria de Segurança Pública do Estado para disputar o Senado, além de mais diálogo. Em comunicado, o PP paulista ameaçou romper a aliança com Tarcísio e lançar um nome próprio para concorrer ao governo de São Paulo neste ano.
Na semana passada, o presidente estadual do partido, deputado federal Mauricio Neves, afirmou em entrevista ao Valor que o PP “tem uma convergência” com Flávio e que, em sua opinião, a candidatura do senador é algo consolidado. “Flávio não sairá mais [da corrida presidencial]”, disse Neves.
As queixas públicas do PP foram minimizadas por aliados de Tarcísio, que avaliaram a pressão como uma busca de mais espaço no governo ou na chapa do governador. Neves negou se tratar de “um jogo” do partido. Procurado via assessoria, o governador não respondeu sobre o “crescente descontentamento” e a “falta de atenção” relatados pelo partido.
O governador de São Paulo está de férias nos Estados Unidos e tem retorno previsto para segunda-feira (12). Desde 26 de dezembro, o vice Felicio Ramuth (PSD) está como governador interino.
Na nota divulgada pelo PP, a legenda afirmou que tem hoje 54 prefeitos no Estado de São Paulo e que, entre os principais motivos para o problema na relação, “está o crescente descontentamento de prefeitos da legenda, além de queixas recorrentes sobre a falta de atenção a parlamentares, dificuldades de comunicação e uma percepção de distanciamento entre membros do atual governo estadual e a direção partidária do Progressistas, tanto em nível nacional quanto estadual”.
“Com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, o partido também passou a considerar estratégico ter, no Palácio dos Bandeirantes, um governador mais alinhado ao projeto nacional da sigla. A avaliação interna é de que essa sintonia facilitaria a montagem e a sustentação da chapa de candidatos a deputado federal e estadual em São Paulo, um dos principais colégios eleitorais do país”, disse o partido, na nota.
Segundo o PP-SP, entre os nomes cogitados para uma eventual candidatura própria estão Filipe Sabará, ex-secretário estadual, principal aliado de Flávio Bolsonaro no Estado e ex-coordenador de campanha de Pablo Marçal (PRTB), além do deputado federal Ricardo Salles. Ao falar sobre a disputa eleitoral, o partido cobrou apoio ao ex-secretário Guilherme Derrite.
“O partido, que tem o ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite como pré-candidato ao Senado, também avalia como insuficiente o apoio público e concreto do governador ao seu projeto majoritário. Apesar disso, Derrite mantém forte respaldo da família Bolsonaro, fator considerado relevante nas articulações para 2026.”
Fonte: Valor Econômico

