O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (10) que o Brasil não pode “correr risco de tomar decisões açodadas” devido à alta do petróleo, causada pela guerra do Irã. A Fazenda, segundo o ministro, está desenhando cenários de impacto a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com o ministro, o governo federal precisa, neste momento, “observar, verificar com o andar das coisas, estabelecer cenários”, já que o preço do petróleo tem oscilado dia a dia. De acordo com Haddad, a situação atual guarda similaridade com o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, no ano passado – parcialmente revertido depois.
“Precisamos desenhar cenários: o cenário A, o cenário B, o cenário C, e desenhar o pior cenário também, porque o papel do Estado brasileiro é sempre não dar chance para o azar”, disse a jornalistas no Ministério da Fazenda.
Como efeito da guerra, o barril do tipo Brent chegou a se aproximar de US$ 120 na segunda-feira (9), mas recuou nesta terça-feira para a casa de US$ 80.
Já o Ministério de Minas e Energia (MME) informou que intensificou as ações de monitoramento das cadeias de suprimento de derivados de petróleo, da logística nacional de abastecimento de combustíveis e dos preços dos produtos diante do conflito no Oriente Médio. Em nota, a pasta afirmou que a exposição direta do Brasil ao cenário é limitada.
Mesmo assim, o MME criou uma sala de monitoramento do abastecimento, que acompanha, dia a dia, as condições do mercado nacional e internacional de combustíveis. O objetivo é identificar rapidamente eventuais riscos ao abastecimento e coordenadas medidas necessárias para preservas a segurança energética e fornecimento de combustíveis no país.
“Até o momento, apesar do cenário de instabilidade, a exposição direta do Brasil ao conflito é considerada limitada. O país é exportador de petróleo bruto e importa parte dos derivados consumidos internamente, sobretudo diesel, mas a participação de países do golfo Pérsico como fornecedores das importações brasileiras de derivados de petróleo é relativamente pequena”, afirma.
Segundo a pasta, equipes técnicas acompanham diariamente os fluxos globais de petróleo e derivados e as condições do abastecimento no país, em interlocução com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e agentes do setor de preços e de mercado que atuam na produção, na importação e na distribuição de combustíveis no país.
Desde o fim de fevereiro, técnicos do MME reforçaram o trabalhado de observação e análise diária dos fluxos logísticos nacionais e internacionais de petróleo, gás natural e combustíveis. A atuação envolve desde o acompanhamento da evolução dos cenários nacional e internacional e apuração dos reflexos sobre a logística setorial e sobre o abastecimento de combustíveis no território brasileiro.
Em uma terceira frente, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), enviou também nesta terça-feira ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) solicitando análise dos recentes aumentos nos preços dos combustíveis registrados em quatro Estados e no Distrito Federal.
O pedido foi feito após representantes de sindicatos informarem publicamente que distribuidoras elevaram os preços de venda aos postos sob a justificativa de alta no preço internacional do petróleo, devido ao conflito no Oriente Médio.
A Senacon ressaltou que, até o momento, a Petrobras não anunciou aumento nos preços praticados em suas refinarias. Diante desse cenário, a secretaria solicitou que o Cade avalie a existência de possíveis indícios de práticas prejudiciais à livre concorrência no mercado e que possam indicar tentativa de influência à adoção de conduta comercial uniforme ou combinada entre concorrentes.
“A secretaria ressalta que o pedido decorre do monitoramento realizado continuamente pelos órgãos responsáveis, com o objetivo de garantir transparência nas práticas comerciais”, afirmou.
Fonte: Valor Econômico
