Master bateu oferta de empresário do setor farmacêutico; conversas de M&A já estão em curso
Um outro proponente tinha tentado o acordo fechado pelo banco Master com os controladores da Oncoclínicas. Carlos Sanchez, o dono da farmacêutica EMS, começou a montar posição na empresa como acionista, afirmam fontes com conhecimento do assunto, e chegou a colocar preço como investidor principal de um aumento de capital — mas não bateu o prêmio sobre tela oferecido por Daniel Vorcaro.
Quem também não ficou muito satisfeito foi Nelson Tanure, empresário que havia abordado o fundador da Oncoclínicas, Bruno Ferrari, e o Goldman Sachs há dois anos para tentar negócio, mas sem avanço. No mercado, desde que a transação com Master foi anunciada, especula-se se Tanure estaria envolvido nesta operação e ainda que um próximo passo seria uma fusão com Alliança. Duas fontes diretamente envolvidas no negócio rechaçam as duas teorias: asseguram que não há capital de Tanure envolvido e nem desenho com sua empresa de saúde.
Mas há outras operações em curso envolvendo a Oncoclínicas, apurou o Pipeline. Vorcaro quer acelerar o passo de M&A para levar a companhia a outro patamar, ainda mais focada na atividade que lhe dá nome. A empresa já tomou a decisão de concentrar suas operações em oncologia, com a venda de clínicas e laboratórios com atendimento mais amplo, e tem conversas em curso com dois potenciais compradores estratégicos, um hospitalar e um player de diagnósticos, afirmaram as fontes. A venda, no entanto, depende de um acordo de operação, no formato que a empresa tem com a Unimed — operando o negócio de oncologia dentro dos hospitais, mas não os demais atendimentos.
Oncoclínicas: com aumento de capital, banco Master aumentou participação na empresa de saúde — Foto: Divulgação
Esse capital serviria ainda para avançar numa outra negociação, de compra da carteira oncológica da Amil. Já há tratativas em curso com José Seripieri Filho, o novo dono da operadora de saúde e rede hospitalar, mas Júnior tem se concentrado na potencial transação para fundir hospitais com a Dasa, como adiantou o Pipeline em março. As duas conversas seguem em diferentes ritmos, mas é mais provável que só uma delas acabe vingando, disseram as fontes.
No curto prazo, a Oncoclínicas deve anunciar uma joint venture com um grupo saudita para operação de tratamento oncológico no mercado do Oriente Médio — um negócio que Ferrari começou a desenhar há mais de um ano, a partir de uma viagem à Arábia Saudita. Se concretizada, vai marcar a primeira operação internacional do grupo de medicina brasileiro.
Procurada, a Oncoclínicas não quis comentar.
Fonte: Pipeline Valor