Por Pedro Borg, Valor — São Paulo
02/05/2024 09h30 Atualizado há 10 horas
A perspectiva para a economia mundial está melhorando, com o crescimento se revelando mais resiliente e a inflação perdendo força mais rapidamente do que se esperava anteriormente em muitos países. Porém, esse cenário poderá sofrer um revés significativo se uma escalada do conflito no Oriente Médio levar a uma subida acentuada dos preços do petróleo, afirmou ontem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
No seu mais recente relatório trimestral, o órgão com sede em Paris elevou as suas previsões de crescimento para este ano a 3,1% e, para o próximo, para 3,2%. Para a inflação, a previsão é de uma desaceleração de 6,9% em 2023 para 5% neste ano e 3,4% em 2025, mais próximo das metas dos principais bancos centrais do mundo.
“A economia global se mostrou resiliente, a inflação diminuiu para próximo das metas dos bancos centrais e os riscos para as perspectivas estão se tornando mais equilibrados. Esperamos um crescimento global constante para 2024 e 2025, embora o crescimento deva permanecer abaixo da média de longo prazo”, disse o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann.
Apesar de prever uma recuperação da economia global, a entidade alerta que riscos geopolíticos podem provocar disrupções nas cadeias de fornecimento de energia e nos mercados financeiros.
A OCDE também alerta para o risco de a inflação reduzir seu ritmo de desaceleração e permanecer mais tempo nos níveis atuais, o que pode atrasar o movimento de queda nas taxas básicas de juros.
O temor é que a persistência da alta taxa de juros possa pressionar setores com alto nível de endividamento, como o imobiliário e das empresas. Segundo a OCDE, pedidos de falência e de moratórias em alguns países atualmente estão maiores do que nos patamares pré-pandemia, trazendo riscos para a estabilidade financeira global.
No caso de uma escalada do conflito no Oriente Médio, seus economistas calculam que uma perturbação mais grave nas rotas comerciais pode elevar os preços do petróleo 25% acima dos US$ 85 por barril assumidos nas suas previsões. Nesse caso, a taxa de crescimento da economia global seria reduzida em 0,4 pontos percentuais, enquanto as taxas de inflação aumentariam em um ponto percentual e os BCs aumentariam as suas taxas de juro básicas em meio ponto percentual.
O crescimento segue desigual no mundo, observa a OCDE. Entre os países mais ricos e desenvolvidos, os EUA continuarão crescendo mais do que Japão e Europa.
Segundo a OCDE, os EUA devem crescer 2,6% neste ano, ante uma estimativa anterior de 2,1%. Para 2025, a expectativa da entidade é que o crescimento americano se desacelere para 1,8%. A melhora da perspectiva americana se deu por conta do ritmo de crescimento da economia mais alto que o esperado e pela força do consumo das famílias e do governo, que sustentaram o aquecimento econômico americano, segundo a OCDE.
A China deverá se beneficiar de seu estímulo fiscal e crescer 4,9% em 2024 e 4,5% em 2025.
A zona do euro também deve crescer, apesar do fraco desempenho da Alemanha, maior economia do bloco, que deve registrar um crescimento marginal de apenas 0,2% neste ano e de 1,1% no próximo ano, segundo a OCDE. A zona do euro deve crescer 0,7% em 2024 e 1,5% em 2025.
Um dos poucos países que tiveram previsão rebaixada foi o Reino Unido. A OCDE estima que o país irá crescer 0,4% em 2024, queda em relação à previsão anterior de 0,7%. Para o próximo ano é previsto que o Reino Unido cresça 1%.
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Fonte: Valor Econômico
