A possibilidade de uma eleição antecipada no Japão já começou a assustar os investidores e trouxe à tona, novamente, as preocupações fiscais nos mercados desenvolvidos.
O reflexo mais óbvio se deu no mercado de juros japoneses, que opera pressionado desde o ano passado. As taxas atingiram máximas históricas em alguns vencimentos. A taxa do JGB de dez anos subiu a 2,169%, maior nível desde os anos 1990, enquanto o retorno do papel de 40 anos saltou à máxima histórica de 3,814%.
A preocupação central com uma antecipação das eleições para a Câmara Baixa estaria no potencial impacto sobre a política fiscal japonesa. “Temores de uma política fiscal ainda mais expansionista podem pressionar os vencimentos mais longos dos JGBs, em meio a preocupações persistentes com a sustentabilidade da dívida, com provável transbordamento para a fraqueza do iene”, alerta o estrategista Chidu Narayanan, do Wells Fargo.
Foi o que aconteceu na madrugada desta terça-feira. Com os novos rumores sobre uma eleição em fevereiro, o iene sofreu e os JGBs viram seus rendimentos dispararem.
“Os JGBs de vencimento mais longo vêm sob pressão desde março de 2025, diante das preocupações do mercado tanto com a oferta quanto com a demanda”, diz Narayanan, ao lembrar, ainda, que o Ministério das Finanças reduziu as emissões de papéis mais longos diante da disparada das taxas no ano passado, o que ajudou a conter o nível dos juros. Ao menos momentaneamente.
No caso dos estrategistas de renda fixa do Goldman Sachs, a tendência é a de piora desse quadro, ao menos na primeira metade deste ano. “Os riscos de curto prazo continuam inclinados para uma maior desvalorização dos vencimentos intermediários e longos da curva, em função da persistente incerteza fiscal e dos desafios de demanda na ponta longa”, notam. Para eles, o nível dos juros longos e o desempenho inferior dos JGBs em relação aos derivativos são sinais de alerta.
“A pressão contínua de depreciação do iene, combinada com a alta dos rendimentos de longo prazo, sugere que o prêmio de risco fiscal permanece como uma preocupação do mercado”, dizem os estrategistas do Goldman. Nesse sentido, a possibilidade de uma eleição antecipada exacerba os riscos no curto prazo. “A chave para algum alívio está no quadro fiscal, que não esperamos que se esclareça antes do fim do primeiro trimestre.”
Fonte: Valor Econômico