Por Assis Moreira — De Genebra
30/06/2022 05h00 Atualizado há 6 horas
A nova ofensiva da Rússia contra a Ucrânia aumentou o alerta sobre a escassez de alimentos e a crise de fome entre os membros da Organização Mundial de Comércio (OMC). Ao mesmo tempo, o Brasil apontou que cerca de 30 países estão restringindo exportações de alimentos, o que representa 18% do comércio global de calorias.
Durante reunião do Comitê de Agricultura da OMC, um representante da Ucrânia voltou a denunciar Moscou e chamou a atenção para novo ataque russo durante o fim de semana. Durante dois dias de reunião da OMC, o funcionário de Kiev, que participou por vídeo, teve que se abrigar cinco vezes em um abrigo antibombas.
Países aliados da Ucrânia se declararam alarmados com os novos ataques. Os EUA repreenderam as reivindicações da Rússia e disseram que as sanções contra o país visavam seus setores de defesa, aviação e tecnologias. Destacaram a necessidade de construir uma resiliência a longo prazo dos mercados agrícolas, inclusive evitando restrições à exportação.
Os Estados Unidos, Canadá, Japão, Brasil, Paraguai, União Europeia e o Reino Unido questionaram uma proibição de exportação de trigo pela Índia, país que procura aparecer como um salvador dos países em desenvolvimento.
Os sete países reclamaram que essa proibição pela Índia abalou ainda mais o mercado de alimentos. Os preços globais do trigo subiram 6% no primeiro dia de negociação do trigo futuro na Câmara de Comércio de Chicago, após o anúncio indiano. Os países duvidaram que a restrição de Nova Déli era necessária, já que diferentes organizações preveem que a Índia deverá produzir quase 100 milhões de toneladas de trigo entre 2022-2023, bem acima do volume médio anual de produção alcançado durante os cinco anos até 2020, de 96 milhões de toneladas.
Segundo fonte comercial, os EUA criticaram duramente o que chamaram de “efeito prejudicial da ação da Índia” nos mercados internacionais. Citaram Bangladesh como uma vítima que costumava pagar menos de US$ 400 por tonelada de trigo indiano e agora é obrigada a recorrer a fontes de abastecimento mais caras. A Suíça pediu à Índia que considerasse o impacto de sua política sobre os membros importadores. O Japão lembrou a Índia da nova declaração ministerial na OMC sobre segurança alimentar, que reafirmou a importância de manter o comércio fluindo. A Tailândia pediu à Índia que especificasse quanto tempo vai durar esta medida.
A Índia respondeu que notificará sua decisão no devido tempo, e rebateu as reações, alegando que não é um grande exportador de trigo e que sua proibição não teria influência significativa nos preços do mercado internacional.
Segundo fonte comercial, o Comitê de Agricultura discutiu sobre quem é o principal responsável pela atual situação terrível no mundo dos alimentos. Para os EUA, Ucrânia, Canadá, Austrália, UE, Japão e o Reino Unido, a resposta é a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Fonte: Valor Econômico
