Informações exclusivas, análises e bastidores do mundo dos negócios. Informações da coluna Rennan Setti No GLOBO desde 2009, foi repórter de tecnologia e atua desde 2014 na cobertura de mercado de capitais. É formado em jornalismo pela Uerj. Novo Nordisk quer barrar rival nacional do Ozempic acusando EMS de violar marcas Estratégia judicial surge após empresa perder batalha para estender patente da semaglutida RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 – 16:07 Novo Nordisk processa EMS e INPI por registro da marca Ozivy A Novo Nordisk está processando a EMS e o INPI para anular o registro da marca Ozivy, alegando que viola suas marcas Ozempic e Wegovy. A Novo Nordisk argumenta que o nome Ozivy causa confusão e se aproveita da reputação de suas marcas. A EMS defende o nome como original e confia na manutenção do registro. O Ozivy, aprovado pela Anvisa, é voltado para o tratamento de diabetes tipo 2 e já está à venda no Brasil. Depois de ter perdido a batalha pela extensão da patente da semaglutida, princípio ativo de canetas emagrecedoras como o Ozempic, a gigante dinamarquesa Novo Nordisk quer agora barrar a recém-lançada caneta emagrecedora da EMS com outra estratégia: acusando o produto da farmacêutica brasileira, o Ozivy, de violar suas marcas Ozempic e Wegovy. A companhia acaba de processar a EMS e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) na 31ª Vara Federal do Rio, pedindo a nulidade do registro da marca Ozivy, concedido à EMS em março. Segundo a Novo Nordisk, o nome causa confusão, associação indevida e “aproveitamento parasitário da reputação alheia”. “A EMS poderia ter escolhido qualquer sinal próprio, autônomo e suficientemente distinto para identificar seu produto. Não o fez. Optou por OZIVY, marca curta que começa com OZ, como OZEMPIC, e termina com VY, como WEGOVY. A escolha não se explica por exigência técnica, regulatória, farmacológica ou terapêutica”, escreveram os advogados da Novo Nordisk. “O sinal OZIVY não remete à semaglutida, à indicação terapêutica ou a qualquer característica objetiva do medicamento. Sua lógica está na aproximação com as marcas da Novo.” Ainda não houve qualquer decisão da Justiça sobre a ação, iniciada na noite de quarta-feira. O que diz a EMS Procurada pela coluna, a EMS disse que “recebeu a ação com tranquilidade e confia na manutenção do registro de marca concedido pelo INPI”. “A companhia afirma que Ozivy é uma marca original, construída por meio de um processo técnico e independente de desenvolvimento de branding farmacêutico, e ressalta que seguirá concentrada em ampliar o acesso dos pacientes brasileiros a tratamentos de qualidade, em um ambiente de livre concorrência e respeito às decisões regulatórias e institucionais do país”, acrescentou. O medicamento Ozivy começou a ser vendido no Brasil esta semana. Trata-se do primeiro fármaco com semaglutida sintética a receber o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento do diabetes tipo 2. No Programa Vida + Leve, oferecido pela EMS, é apresentado um pacote com duas canetas multidose de 1 mg, correspondente aos três primeiros meses de tratamento, por R$ 863,23 — o equivalente a R$ 287 por mês. O que diz a Novo Nordisk Em nota, a Novo Nordisk confirmou o processo e disse que “adotou medidas legais no Brasil para proteger seus direitos sobre as marcas Ozempic e Wegovy e evitar situações que possam gerar confusão ou desinformação para pacientes e profissionais de saúde quanto à correta identificação dos produtos, suas indicações aprovadas e seu uso adequado.” “A companhia convive com mais de 70 produtos concorrentes em mais de 20 países e acredita que a concorrência é benéfica para a sociedade, desde que ocorra de forma ética”, disse a farmacêutica, explicando que “não comentará detalhes adicionais neste momento (…) em respeito ao processo em andamento e às partes envolvidas.”
Fonte: O Globo