O imunizante é composto por quatro sorotipos do vírus que provoca a doença
Por Victoria Nogueira Rosa*, Valor — São Paulo
27/09/2023 19h48 Atualizado há 20 horas
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Uma nova vacina contra a dengue já está disponível no Brasil. Fabricada pelo laboratório japonês Takeda Pharma, a Qdenga teve o registro aprovado em março deste ano pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Por ora, o imunizante, composto por quatro sorotipos do vírus, pode ser encontrado somente na rede privada de saúde (farmácias, clínicas e laboratórios). Consultados pelo Valor, os preços das doses variam de acordo com a rede de farmácia.
Nas redes Raia e Drogasil, por exemplo, elas são comercializadas a R$ 364,32. Enquanto nas Drogarias São Paulo e Pacheco, a R$ 389,90.
Vale destacar que a proteção da Qdenga está restrita à dengue. Portanto, ela não atua contra outras doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como zika, febre amarela e chikungunya.
Procurada pelo Valor, a Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas (ABCVAC) classificou a chegada da Qdenga ao mercado brasileiro como “um avanço importante no combate à doença”.
Quem pode tomar a Qdenga?
Indicada para pessoas de 4 a 60 anos, a Qdenga conta com duas doses, produzidas a partir do vírus atenuado. As aplicações, por sua vez, devem acontecer no intervalo de três meses.
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Estudos clínicos apontaram eficácia de 80,2% do imunizante e redução em até 90,4% das hospitalizações.
Ao contrário da Dengvaxia, outra vacina contra a dengue disponível no Brasil e que é recomendada apenas para quem já teve a doença, a Qdenga também é indicada para os pacientes que nunca entraram em contato com o vírus.
Quando a Qdenga será disponibilizada no SUS?
Por enquanto, não há previsão para que a Qdenga seja disponibilizada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).
Em nota enviada ao Valor, o Ministério da Saúde afirmou que “trabalha para tornar a nova vacina acessível para todos”.
De acordo com a pasta, desde a aprovação da vacina pela Anvisa em março, “a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) analisa a inclusão do imunizante na rede pública”.
O Conitec, por sua vez, é responsável por avaliar a eficácia, acurácia, efetividade, segurança e impacto econômico da nova tecnologia no SUS.
No texto, o Ministério também destacou que o laboratório Takeda Pharma já enviou um pedido ao Conitec pedindo a inclusão do produto no SUS. A análise pode durar até 180 dias, podendo ser prorrogada por mais 90.
Instituto Butantan trabalha na produção de vacina nacional contra dengue
Paralelamente às empresas estrangeiras, o Instituto Butantan, em São Paulo, trabalha no desenvolvimento de uma vacina tetravalente contra a dengue — a Butantan-DV.
Ao Valor, o Instituto informou que a previsão para o término do estudo é 2024, quando o último participante completar 5 anos de acompanhamento.
Um levantamento, divulgado em dezembro de 2022, apontou 79,6% de eficácia da Butantan-DV na prevenção dos casos de dengue sintomática.
Sudeste lidera ranking de mortes por dengue em 2023
Segundo dados do Ministério da Saúde, foram contabilizadas, até 21 de agosto de 2023, 920 mortes por dengue no Brasil. Até o mesmo mês, o número de possíveis diagnósticos chegou a 1.522.338.
A região sudeste é a que, até o momento, concentra o maior número de óbitos — 515 no total. O estado de São Paulo lidera o ranking, com 255. Na sequência, aparecem Minas Gerais (168) e o Espírito Santo (75).
Todas as faixas etárias são suscetíveis a contrair o vírus. No entanto, os idosos e pacientes crônicos, como diabéticos e hipertensos, têm maior risco de evoluir para formas graves ou complicações da doença — que pode levar à morte.
Sintomas da dengue
Os principais sintomas da dengue são:
- Febre acima de 38ºC;
- Mal estar;
- Manchas vermelhas no corpo;
- Dor nos olhos;
- Dor no corpo e articulações;
- Dor de cabeça;
- Falta de apetite.
Como se prevenir da dengue
Quanto à prevenção, o Ministério da Saúde recomenda que a população siga alguns cuidados para impedir a proliferação do Aedes aegypti, que se reproduz na água parada. São eles:
- Não acumular água em lajes ou calhas
- Evitar o acúmulo de itens sem serventia;
- Não estocar pneus em áreas descobertas;
- Colocar areia nos vasos de planta e cobrir bem tonéis e caixas d’água;
- Receber a visita dos agentes de saúde.
*Estagiária sob supervisão de Diogo Max
Fonte: Valor Econômico