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O transporte aéreo de cargas vive um momento de consolidação no Brasil, impulsionado pelo crescimento do comércio eletrônico, avanço da indústria farmacêutica e pela retomada das exportações de produtos perecíveis e tecnológicos. Embora ainda movimente volumes modestos em relação às matrizes rodoviária e ferroviária, chegou a 488 mil toneladas no mercado doméstico em 2024, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com crescimento de 9,7% ante a 2023.
Entre 2021 e 2025, o setor registrou avanços consistentes em volume e eficiência, acompanhando investimentos robustos em terminais, digitalização e automação. Mas o desafio ainda é estrutural: a falta de integração entre modais e a escassez de grandes hubs logísticos limitam a competitividade. “A cadeia de operação aeroviária é muito rápida, mas transporta pouco. É modal caro, que exige muita infraestrutura para movimentar cargas de altíssimo valor agregado e o Brasil ainda é mais importador do que exportador desses produtos”, diz Daniel Mota, pesquisador de logística da Fundação Vanzolini e professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).
Segundo ele, o país ainda é carente de integrações multimodais. “As empresas preferem parar no Panamá, que é um grande hub aeroviário na América”, afirma. Para que o transporte aéreo brasileiro alcance outro patamar, diz Mota, é necessário melhorar o nível de industrialização e implementar um plano logístico único que integre rodovias, ferrovias e aeroportos de forma coordenada.
No epicentro das transformações do setor, o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), reforça seu papel como um dos principais hubs logísticos da América Latina. “Temos observado crescimento expressivo na movimentação de medicamentos, insumos e produtos farmacêuticos, o que motivou investimentos robustos em infraestrutura, tecnologia e atendimento especializado”, afirma Marina Giffú, gerente comercial de cargas de Viracopos.
A companhia lançou o programa Smart Pharma, voltado ao atendimento de cargas sob vigilância sanitária, com prioridade no embarque, infraestrutura refrigerada e certificações internacionais e, no ano passado, inaugurou o Terminal Público de Cargas Expressas (Tecex), dedicado a remessas do comércio eletrônico internacional sob o Programa Remessa Conforme da Receita Federal. Também está com R$ 110 milhões em aportes em curso, na conversão do antigo terminal de passageiros em um centro logístico de 56 mil metros quadrados, dedicado a cargas internacionais. “Esses investimentos visam ampliar a capacidade de atendimento, atrair novos operadores e fortalecer a infraestrutura voltada à logística integrada”, afirma Giffú.
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A executiva destaca ainda a modernização tecnológica com tarifação automática de importações, portal digital de atendimento e integração à Declaração Única de Importação (Duimp). “Viracopos está na vanguarda das soluções logísticas digitais”, diz. O local prepara o lançamento do sistema de agendamento para liberação de cargas, que permitirá aos clientes programar a retirada de mercadorias com horário definido, reduzindo filas e custos operacionais. No campo da multimodalidade, o aeroporto foi o primeiro do país autorizado a operar baldeação internacional entre modais aéreo, marítimo e rodoviário, conectando-se ao porto de Santos e, futuramente, a um ramal ferroviário do projeto Trem Intercidades.
Maior terminal aéreo de cargas do país, o Aeroporto Internacional de São Paulo (GRU Airport) também vive um ciclo de expansão. “De 2021 para 2025, o market share em importações cresceu de 46% para 54%, e nas exportações, de 52% para 58%”, diz Paulo Souza, diretor de operações de cargas da GRU Airport. Segundo ele, os segmentos automotivo, químico e eletrônico têm puxado esse crescimento. “Somos responsáveis por 68% do transporte de perecíveis do país, sendo 60% do segmento farmacêutico.”
Com 200 mil metros quadrados de área operacional, o terminal está construindo três galpões de armazenamento e vai somar 165 mil metros quadrados até 2027. Dois deles serão dedicados ao e-commerce e um às remessas de courier do Programa Remessa Conforme. “Guarulhos é o aeroporto mais acessível do Brasil para a logística rodoviária, com conexões diretas às principais rodovias do país, o que amplia nosso diferencial competitivo”, afirma Souza. A empresa ampliou parcerias com a Receita Federal, integrando suas operações à Duimp para agilizar desembaraços e reduzir burocracias.
Do lado das companhias aéreas, a Latam Cargo segue reforçando sua malha e capacidade no país. Em 2024, transportou 126 mil toneladas de cargas no mercado doméstico e atingiu US$ 1,6 bilhão em receitas, alta de 12,2% ante 2023. “Desde abril de 2025, lideramos o transporte de cargas domésticas em voos de passageiros, com 38,5% de participação de mercado, segundo a Anac”, afirma Otávio Meneguette, diretor da Latam Cargo Brasil. A empresa tem investido em novas tecnologias e parcerias estratégicas para ampliar eficiência e presença. “A tecnologia já é um motor de transformação na logística, impactando desde o rastreamento em tempo real até a otimização de processos nos terminais”, diz Meneguette. Um dos marcos foi a adoção da plataforma on-line Services by Croamis, que permite autogestão e acompanhamento digital de envios.
A companhia também lançou o serviço éFácil, voltado a pequenos pacotes com entrega rápida. “No primeiro semestre de 2025, 70% das encomendas originadas em Congonhas e Guarulhos foram entregues em até 48 horas – mais que o dobro de 2024”, diz o executivo. Entre as novas parcerias, uma das mais relevantes é com a Amazon, para entregas em 11 Estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A Latam expande a conectividade internacional com novas rotas cargueiras, como Bruxelas-São José dos Campos, e de passageiros com capacidade para carga, como Fortaleza-Lisboa. “Queremos criar consciência de que o transporte aéreo é acessível e está pronto para gerar ainda mais negócios”, afirma Meneguette.
Fonte: Valor Econômico